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>Colunas > Editorial

A punição a James Stewart e suas implicações na nova temporada
Publicado em: 18/12/2014
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Penalidade antidoping imposta ao piloto provoca racha nas entidades internacionais
Redação MotoX.com.br: Lucídio Arruda - Fotos: Garth Milan / Red Bull


 James Stewart enfrenta um dos anos mais difíceis em sua carreira

Ontem, a FIM (Federação Internacional de Motociclismo) divulgou a penalização imposta a James Stewart pelo teste antidoping positivo na amostra coletada pela WADA após o Supercross de Seattle 2014.

Para quem não lembra, o episódio veio à tona no final de junho quando a WADA, entidade responsável pelos testes da FIM, relatou a presença de substâncias banidas na amostra do piloto. Segundo o que se comenta por aí, seria uma meta-anfetamina presente em medicamento para déficit de atenção, prescrito por seu médico.

Após toda a polêmica, James juntou documentação e conseguiu a exceção na WADA, algo que está previsto nas regras da entidade, para prosseguir com o uso da medicação. Ficou no ar qual seria a penalização pelo deslize do piloto e sua equipe.

A penalização

A penalidade de James Stewart foi anunciada ontem, e veio muito mais pesada do que se esperava: 16 meses de suspensão, retroativo ao episódio da coleta em Seattle, o que significa que o piloto deverá ficar fora das competições até o final de agosto de 2015. Na prática isso anula qualquer possibilidade de Stewart competir na temporada do ano que vem, pois coincide justamente com o final da temporada do AMA Motocross.

As opções de Stewart


Não restam muitas opções ao piloto. Ele pode recorrer contra a medida exagerada da penalidade, mas a praticamente duas semanas da abertura do AMA Supercross em Anaheim, nada seria julgado antes do início do campeonato, ou mesmo de várias das etapas iniciais.

Se não puder correr de moto esse ano, fome não vai passar. Arrumar o que fazer ele arruma, pode até mesmo competir em qualquer outra coisa que tenha motor. Nome, fama e contatos ele tam, não seria muito difícil para arrumar um volante em qualquer uma das milhares de categorias do automobilismo norte-americano para afastar o tédio...

A reação da AMA

Well, well, well... muita gente ficou descontente com a notícia. James e sua equipe, obviamente, são os mais prejudicados e desapontados. Entre os fãs do esporte, a revolta é geral. Mesmo quem não é fã de James Stewart concorda que ele é uma cara que fará falta ao campeonato, que corre o risco de ter um pouco de seu brilho ofuscado. O atual campeão do AMA Supercross Ryan Villopoto, que competirá no Mundial de Motocross, já é uma baixa importantíssima. A falta de James Stewart não fica muito atrás. Pode dispersar o interesse do público em geral.

Eis que hoje surge no site Vital MX uma carta “vazada” do presidente da AMA (Associação de Motociclistas Americana), Rob Dingman, endereçada ao presidente da FIM, Vito Ippolito, onde o norte-americano expressa todo seu descontentamento, em termos duros, sobre como a FIM administrou a situação.

Entre os pontos mencionados por Dingman, está a falta de comunicação entre a FIM e os promotores do campeonato (Feld Motorsport) sobre o andamento do processo, o que Dingman classificou de amadora e completamente inaceitável.

Outro fato destacado é que a AMA, como co-supervisora do campeonato, não teve oportunidade de expor suas opiniões e pareceres sobre o assunto.

“Sem notificação oficial direta da FIM, a AMA enxerga as informações a respeito dos casos de qualquer piloto como privadas e confidenciais, dessa maneira, não pode informar nem buscar pareceres de seus parceiros”, diz o dirigente.

Talvez o ponto mais importante e relevante do comunicado seja a respeito da mão pesada que aplicou a penalidade: “Desde que a CMI (*) concedeu o TUE (exceção para uso terapêutico) ao senhor Stewart, eles claramente concordam com a presença da substância tem uma finalidade medicinal legítima, a falta do Sr. Stewart foi muito mais de não preencher a papelada adequada do que procurar por uma vantagem em sua performance.”

A íntegra do documento (em inglês) pode ser lida aqui.

O futuro de James Stewart


Reprodução Instagram

O piloto publicou agora pouco em seu Instagram que pensou em encerrar a carreira após ser comunicado sobre a penalização. James já não é mais um garotinho, completa 29 anos no próximo dia 21. Sua carreira, já há algum tempo, deixou para trás a fase ascendente, entretanto ainda é um piloto capaz de vencer corridas e campeonatos. Mais que isso, de atrair multidões aonde quer que vá.

James completa a postagem que, apesar de tudo, não vai desistir e que a força que recebeu dos fãs e até mesmo de outros competidores o fará lutar e que ainda estará “nas redondezas” por muito tempo.

O que virá a seguir

James vai recorrer, não há dúvidas. O problema é que o veredicto final pode não ser nada rápido. Foram oito meses entre o teste e a decisão final sobre a punição a aplicar.

O caso aqui é que punição mexe em grande escala com a “cadeia produtiva” do Supercross. Não só James e sua equipe Suzuki Yoshimura que certamente investiram muito tempo, dinheiro e estrutura para participar do campeonato. Mas também retira de cena uma das principais estrelas do campeonato e isso reflete diretamente na venda de ingressos, retorno de mídia e por aí vai. Já há fãs sugerindo o boicote às competições desse ano.

As chances de uma reviravolta na questão são restritas. A AMA é notória por interpretar suas próprias regras conforme a conveniência do momento. Famoso foi o episódio do combustível de Ricky Carmichael em 2006, onde a entidade converteu a perda de pontos em multa quando o piloto anunciou que deixaria as etapas restantes do campeonato. Mesmo assim não sei que ponto chegaria.

Seria provável um rompimento da AMA com a FIM? Que implicações políticas isso teria?


Mas afinal, porque a FIM sanciona um campeonato “mundial” disputado somente nos EUA?

O perrengue vem do longínquo ano de 2001. A AMA cortou relações com a Clear Channel (promotora do Supercross na época, que depois se tornou Feld Motorsports) na tentativa de assumir o comando do campeonato. Se a memória não falha, o contrato entre as duas partes vencia naquele ano e a AMA queria um acordo com outro promotor onde tivesse maior participação. A briga pelo poder durou meses e até se cogitou a realização de dois campeonatos paralelos, com promotores diferentes.

Sem o aval para homologação da série pela AMA a Clear Channel utilizou sua força, incluindo os contratos pré-existentes com a maioria dos estádios sede de etapas e firmou acordo com a FIM para homologar sua série independente da vontade da AMA.

No final das contas, sem força política e econômica com o novo promotor, a AMA foi obrigada a botar o rabinho entre as pernas e voltar de braços abertos para a Clear Channel, A essa altura, aceitando com um sorriso no rosto as condições do promotor. Era isso ou nada em relação ao Supercross. O problema era que a CC já tinha assinado acordo com a FIM até 2018.


Durante o período de suspensão, Stewart competiu e venceu o Red Bull Straight Rithm, competição independente, sem supervisão da AMA ou FIM








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