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Jogo de Equipe - A liberdade da KTM e outras passagens marcantes do esporte
Publicado em: 31/03/2017

Musquin x Dungey. Disputa interna pode tirar título da marca austríaca no Supercross 2017?
Redação MotoX.com.br: Lucidio Arruda - Fotos: Simon Cudby / Jim Gianatisis / Jody Weisel

Jogo de equipe faz parte do esporte, então porque as ordens da KTM ainda não apareceram no campeonato?


Marvin Musquin persegue e ultrapassa Ryan Dungey em Indianápolis

Motocross é um esporte individual, certo? Errado! Há bastante tempo não se vai muito longe sozinho em qualquer competição motorizada. Com a profissionalização vieram obrigações que vão muito além da simples vontade de acelerar. Compromissos com os patrocinadores, imprensa, concessionárias, eventos "extracurriculares" e cláusulas e mais cláusulas nos contratos.

+ Direto dos EUA por Edu Erbs - Indy e Detroit. Tomac embalado, Dungey preocupado

Quando pilotos e fábricas assinam seus acordos, vários personagens marcam suas presenças, incluindo os advogados que cuidam de todas as letras necessárias para que o contratado (piloto) não fuja do controle da contratante (equipe). É muitas vezes uma relação tensa onde se tenta delinear os limites de um lado e do outro, cheia de pontos de confidencialidade.


Jeremy McGrath chocou o mundo quando apareceu com a Suzuki em 1997
Entre um dos casos mais famosos de embate nesse sentido, está a saída de Jeremy McGrath da Honda, praticamente na virada do anos de 96 para 97. O contrato apresentado pela marca exagerava nos direitos sobre a imagem do piloto e, entre outras restrições, proibia Jeremy até mesmo, pasmem, de pilotar motocicletas na rua. A terrível primeira geração do chassi de alumínio da CR250, que não permitiria ao piloto utilizar o seu quadro de aço preferido (versão 93) foi outro motivo, porém esses detalhes ficam para outra história.

O fato é que as equipes contratualmente têm o "poder" de obrigar o piloto a ceder posição para um companheiro em melhores condições no campeonato. Afinal são as equipes que "assinam o cheque" e perder um título onde investiram milhões por falta de "controle interno" deve dar uma dor de cabeça infinita na hora de se reportar à diretoria.

Embora em muitos campeonatos hajam regras que tentam evitar a "definição de resultados por fatores extra esportivos", é raro ver punições nesse sentido aplicadas ou até mesmo demarcar os limites onde essas regras sejam quebradas. Jogo de equipe sempre existiu e vai existir, mas afinal, num momento crítico do campeonato, porque a KTM deixou a disputa entre seus pilotos rolar solta?

O fato é que a situação está chegando no limite. Dungey tem agora somente sete pontos de vantagem sobre Eli Tomac. A diferença poderia ser de 11, não fossem os quatro pontos "roubados" por Musquin nas duas últimas etapas. As ordens ainda não chegaram, pelo menos não abertamente, mas não tenham dúvidas que o assunto está sendo discutido internamente e se na última etapa o título de Dungey estiver nas mão de Musquin, o francês fará sua parte para agradar a equipe.


Ryan Dungey e Marvin Musquin

Alonso is faster than you, do you understand?

Na Formula 1 também há regras que visam impedir o jogo de equipes, mas provavelmente seja o ponto do regulamento mais ignorado da categoria. Boa parcela dos torcedores brasileiros viveu abismada e oprimida a recente época de domínio da Ferrari. O vídeo abaixo é um bom exemplo desta fase do automobilismo brasileiro.



A história do jogo de equipes no Motocross

Os exemplos com duas rodas na terra não são tão gritantes como na F1. No Rally Dakar, principalmente, o posicionamento das equipes é bastante claro. Os times maiores sempre escalam os famosos mochileiros para socorrerem as estrelas em caso de pane mecânica. E não faltam exemplos disso, mas o tópico desse artigo é o Supercross/Motocross.

Aqui no Brasil lembro de uma ocasião no saudoso Brasileiro de Supercross onde um piloto que se classificou bem, mas não tinha chance de título, na última hora, com os motores já ligados e todo mundo alinhado, trocou de posição no gate de largada com o companheiro de equipe que estava bem na pontuação, mas tinha se classificado mal.


Marvin Musquin já roubou 4 pontos de Ryan Dungey. Quantos mais a KTM vai deixar?

Confesso que na minha época de piloto já coloquei também o jogo de equipe em prática. Minha "equipe" era eu e meu irmão Maurício. Normalmente disputávamos posições entre nós mesmos, mas quando havia alguma premiação em jogo nossa tática era simples: quem estivesse em melhores condições de obter uma maior premiação, teria prioridade se o outro estivesse imediatamente à frente. Se não me falha a memória colocamos isso em prática só uma vez, em 1996 ou 97, em Jardinópolis (SP), numa corrida organizada por Tarciso Manso. Quem participava dessas provas tem saudades: inscrições gratuitas e premiação para os cinco primeiros...

Fui quarto colocado na primeira bateria e o Maurício não se saiu bem. Na segunda bateria larguei mal e me recuperei até a quinta posição. Na última curva vejo o Maurício lá parado, sinalizando para eu passar. O dinheirinho da premiação deu para pagar o combustível de volta para casa.
 
Bom, mas vamos ao propósito deste artigo. Jogadas que ficaram marcadas na história do Motocross Mundial. O primeiro registro gritante aconteceu em 1977. Não que nunca tenha ocorrido, mas numa época em que os limitados rolos de filme eram a única mídia disponível, olhos atentos e uma boa dose de sorte eram necessários para capturar o flagrante. O episódio ficou conhecido mundialmente como:

Let Brock Bye

Com um pit board na mão e dois erros numa frase de três palavras, o mecânico da Yamaha Keith McCarty foi personagem central durante a decisão do AMA Motocross 125cc 1977 em San Antonio, Texas. Danny LaPorte (Suzuki) chegou à final liderando o campeonato com pequena vantagem sobre Broc Glover. Bob Hannah, campeão em 1976, estava fora da briga em razão de algumas quebras mecânicas durante o campeonato de seis etapas. É, naquela época as motos, mesmo as oficiais, quebravam muito mais que hoje em dia.


Final do AMA Motocross 125cc 1977. Keith McCarth passa a ordem a Bob Hannah.
Foto: Jim GIanatsis / Racerxonline.com

Broc (não "Brock") venceu a primeira bateria com Hannah em segundo e LaPorte em terceiro. A diferença antes da segunda bateria caiu para apenas 5 pontos, a mesma diferença entre a primeira e terceira posições.

Conforme a segunda bateria se desenvolveu, Bob Hannah abriu uma enorme vantagem de 25 segundos na liderança. Broc Glover era o segundo e Danny LaPorte um distante terceiro, mas praticamente com a mão na taça.


Foto: Jody Weisel / Motocrossactionmag.com
A prova se aproximava do fim com praticamente tudo decidido, foi quando McCarty apresentou o escandaloso (para a época) pit board. "Let Brock Bye, 1 lap". As palavras desapareceram tão rápido quanto possível, McCarty esfregou freneticamente a placa enquanto a história do campeonato era reescrita.

Hannah diminuiu o ritmo e Glover tirou a diferença toda em apenas uma volta. Os três pontos a mais o fizeram empatar com LaPorte e, com maior número de vitórias em baterias, o piloto da Yamaha ficou com o título pelos critérios de desempate. O que se passou após a bandeirada foi mais bizarro que a jogada da equipe. Furioso por perder uma corrida ganha, Bob "Hurricane" Hannah se escondeu no meio do mato onde, dizem, passou um bom tempo chorando. O piloto só retornou aos boxes cerca de uma hora depois e trancou-se na van da equipe o mais rápido que pôde. O Furacão não podia suportar aquela situação.

Kenny Clark, chefe da equipe Yamaha respondeu com "Não tenho nada a declarar" quando perguntado como se sentia com a Yamaha vencendo o título pelo segundo ano consecutivo. Jody Weisel, editor da Motocross Action, insistiu na pergunta e Clark devolveu um suspeitíssimo "Sem comentários". Quarenta anos depois, deve continuar como a mais esquisita declaração de um chefe de equipe que acaba de se tornar campeã.

McCarty continua até hoje na Yamaha EUA onde cuida do setor de competições.

Jean Michel Bayle x Mike Kiedrowski x Guy Cooper

Budds Creek, palco da penúltima etapa do AMA Motocross 125 em 1990. Cenário de um episódio não menos bizarro, um jogo de equipe que não chegou a acontecer.


Guy Cooper, 1990


Jean Michel Bayle não pensou duas vezes antes de desafiar seus chefes de equipe
O francês Jean Michel Bayle (Honda) assumiu a liderança do campeonato após as primeiras provas. Seus principais perseguidores eram Guy "Airtime" Cooper (Suzuki) e Mike Kiedrowski (Honda). Apesar de companheiros de equipe, a relação pessoal entre Bayle e Kiedrowski não era das melhores. Era óbvio que Bayle não gostava de Kiedrowski, que tinha um sentimento recíproco. Para falar a verdade o temperamental francês nunca se relacionou bem com companheiros da Honda durante o período em que viveu nos Estados Unidos. A rivalidade com Jeff Stanton, com quem disputou o título no Supercross 250, também era pública e notória.

Mas o líder Bayle caiu em Washoulgal e machucou o pulso. Fora da briga pelo título, ficou quatro etapas de molho se recuperando. Só retornaria na penúltima etapa do campeonato em Budds Creek. Na ocasião Kiedrowski liderava Cooper por apenas um ponto.

Bayle pilotou em plena forma durante os treinos e era óbvio que tinha todas as chances de andar entre os primeiros. Questionado se poderia ajudar Kiedrowski na disputa pelo título, respondeu na lata: "Se não for largar para vencer, prefiro não largar".

Tanto Dave Arnold como Roger De Coster chefiavam a equipe Honda naquele ano. Não se sabe exatamente de quem veio a ordem, mas o medo de que Bayle prejudicasse o companheiro de equipe falou mais alto. Imediatamente a CR 125R do francês foi trancada na van da equipe e não saiu mais de lá até o final do campeonato.

Kiedrowski faturou a prova de Budds Creek, mas na semana seguinte Guy Cooper ganhou a geral na etapa final e superou Kiedrowski no campeonato por apenas um ponto (518 x 517). Foi o único título nacional de Cooper em sua carreira no Motocross.



Guerra é guerra. Quando países entram na disputa

O "jogo de equipe" muitas vezes extrapola os limites das equipes e se tornam questão de orgulho nacional. Na final do Mundial de Motocross 250cc em 1974, na Suíça, a federação russa recrutou uma legião de pilotos para ajudar Gennady Moisseev a superar o tcheco Jaroslav Falta na decisão do título.


Jaroslav Falta x Rússia. A batalha nos alpes. Foto: Racerxonline.com

Testemunhas contam que a estratégia russa foi descaradamente gritante, com pilotos esperando uma volta para tentar tirar Falta da pista. O tcheco sobreviveu ao ataque russo, mas foi penalizado em 1 minuto por pular o gate - que na época caia para frente - na largada da segunda bateria.

Moisseev venceu o campeonato e mais tarde conquistou mais dois títulos na categoria, em 1977 e 1978. Falta nunca foi campeão.

Motocross das Nações 1997, Nismes, Bélgica

O Motocross das Nações é, em sua essência, uma competição por equipes. As nações lutam pela glória do Chamberlain Trophy, o principal troféu da modalidade. Mas em certas ocasiões a ajudinha nacional vai além do escopo da seleção de cada país.


A Bélgica celebra a vitória em casa, com uma estratégia pra lá de polêmica
Em 1997 na Bégica, tudo correu bem nas classificatórias de sábado e, com a colaboração do clima, um evento principal com céu azul era previsto para o domingo.

Pois bem, as equipes começam a chegar para o dia decisivo de manhã e ficam boquiabertas com o que encontram. O clima bom estava lá, o céu azul estava lá, o Sol brilhava forte, mas... o circuito tinha sido encharcado durante toda a noite como se a Bélgica estivesse localizada na África equatorial!

O barro artificial tinha um objetivo: tirar da jogada a equipe norte-americana formada por John Dowd, Steve Lamson e Jeff Emig. A tendência era que os americanos sofressem com a lama, enquanto os europeus se sentiriam em casa com o chão liso.

Na primeira bateria, ainda com o barro mais pesado Jeff Emig não fez feio, completando a corrida na segunda posição, atrás do britânico Kurt Nicoll. Mas a estratégia belga já começava a fazer efeito. Joel Smets (Open) foi o terceiro colocado e Marniq Bervoets (125) chegou em décimo, enquanto Lamson cruzou apenas na 21ª posição.

A segunda bateria foi decisiva para os norte-americanos já que Dowd (250) abandonou a prova e Lamsom chegou apenas em 15º, dessa forma os yankees já ficavam, na prática, sem qualquer chance de título. Na terceira e última bateria, já com a pista seca, mas bastante degradada, o Team USA não se saiu muito melhor. Emig teve uma corrida difícil e chegou apenas em 12º. Dowd foi 11º.

Pela Bélgica Bervoets fez outra excelente 10ª posição na segunda bateria, ficando também com a vitória individual na 125. Stefan Everts (250) foi 2º e 3º em suas corridas, enquanto Smets fechou sua participação com um quinto lugar. A Bélgica não venceu nenhuma bateria naquele domingo, mas faturou a competição com 23 pontos, batendo a Itália que somou 31. A equipe dos Estados Unidos voltou para casa apenas com a oitava posição.

O Brasil participou neste ano com Nuno Narezzi, Cristiano Lopes e Rogério Nogueira. Nossa seleção ficou com a sétima posição na Final B.











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