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Revisitando o Motocross das Nações 2013
Publicado em: 03/10/2013
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Os destaques do evento em Teutschenthal e a eterna rivalidade Estados Unidos X Europa
Redação MotoX.com.br - Lucídio Arruda - Fotos: Ray Archer / Sarah Gutierrez / Youthstream

 


Confira 5 vídeos do evento na MotoX TV
Aos 67 anos de idade o Motocross das Nações é o evento que mais mexe com os fãs do esporte ao redor do Mundo. É a nossa Copa do Mundo, onde as melhores seleções e pilotos medem forças e também onde as torcidas, assim como no futebol, afloram suas veias mais fanáticas.

Veja também: Galeria de Imagens do evento com 474 Fotos!

Pelo segundo ano consecutivo o título ficou na Europa e isso joga ainda mais lenha na fogueira no debate Estados Unidos versus "Resto do Mundo". É uma questão que vou abordar um pouco mais abaixo, primeiro vou falar sobre os destaques da edição 2013.

Bélgica, o time campeão

Os belgas têm tradição no Motocross. Terra formadora de campeões na modalidade, vem enfrentando um certo jejum de títulos (de pilotos) no Mundial de Motocross desde 2007, quando Steve Ramon venceu a categoria MX1. Desde a aposentadoria de Stefan Everts não apareceu do País outro nome dominante como foram De Coster, Robert, Geboers, Jobé, Smets, Malherbe e (lógico) os próprios Everts, pai e filho.

 

Mas a Bélgica sempre teve pilotos fortes e, mesmo sem vencer, foi presença constante no pódio durante estes oito anos sem ganhar o Nações entre 2004 e 2013. O trio chefiado por Joel Smets nesta edição não tinha nenhum piloto fora de série, mas três ótimos pilotos que fizeram seu trabalho.

Jeremy van Horebeek despediu-se da Kawasaki com uma ótima performance. Sétimo nas duas baterias, fez uma prova memorável na segunda corrida (MX2 + Open) com uma recuperação espetacular após cair na segunda curva. Depois de toda a temporada na MX1 passou duas semanas treinando de 250cc e entregou os resultados que precisava. Ano que vem corre pela Yamaha oficial gerenciada por Michele Rinaldi.


Jeremy van Horebeek

Clement Desalle, correndo pela classe Open, não fez boa largada em sua primeira prova e depois de completar a primeira volta em décimo, alcançou e tomou o terceiro lugar de Justin Barcia até com certa facilidade. Ficou longe da dupla Roczen/Tomac, mas como não tinha chances mesmo de alcançá-los, nada melhor que garantir a boa posição e guardar energia para a bateria final. Infelizmente sofreu a queda na última largada e deslocou o ombro. Comemorou o pódio visivelmente cheio de dores e no início da semana passou por uma cirurgia reparadora.


Ken de Dycker

Ken de Dycker não foi um dos destaques na primeira bateria, com o oitavo lugar depois de uma má largada. Na corrida final segurou o peso de todo o país nas costas após o abandono de Desalle logo na largada. Surpreendeu por suportar toda a pressão com uma tocada consistente. Apesar de alguns pequenos erros avançou pelo pelotão ultrapassando Dungey, Paulin, Searle, Bobryshev e o alemão Nagl na volta final. Provou que está com o preparo físico em dia fazendo uma corrida de tirar o chapéu!

Antonio Cairoli


Antonio Cairoli 

Até 2011 o italiano tinha um histórico problemático no Nações com inúmeras quedas nas largadas e sempre longe de seu potencial. Ou mesmo o bizzarro atraso de sua moto na alfândega norte-americana em 2007, quando a equipe despachou queijos e vinhos junto das peças e sua moto chegou minutos antes dos treinos cronometrados.

Esses Nações problemáticos de Cairoli viraram coisa do passado. Ele simplesmente venceu as quatro últimas baterias de forma maiúscula. A frequente diferença de poucos segundos nas vitórias do italiano sobre o segundo colocado não faz jus ao talento do piloto. Para Cairoli tanto faz vencer por um segundo ou um minuto. O italiano alcançou a maturidade psicológica há tempos e faz "apenas" o necessário para garantir o melhor resultado. Pode ter certeza que se pressionado tiraria alguns coelhos da cartola para enfrentar a disputa. Os sete titulos mundiais estão aí como prova.

Impressiona também em Cairoli a tocada natural e relaxada, numa pista onde boa parte dos adversários estava sofrendo para enfrentar o terreno degradado.

Ken Roczen


O alemãozinho deu O SHOW para seu público. Liderou boa parte da primeira bateria. Não conseguiu segurar Cairoli, mas foi a melhor 250. Não se assustou com a aproximação de Eli Tomac e ficou sossegado depois da queda do norte-americano.

Na segunda bateria deu outro SHOW na longa disputa com Tomac. Foi uma reedição das batalhas entre os dois na América, com um doce sabor de vingança para o alemão. Tomac chegou a emparelhar várias vezes, mas a ultrapassagem foi barrada em todas as tentativas.

Eli Tomac


 Eli Tomac

Em seu primeiro Nações o novato da equipe norte-americana foi o que se deu melhor com a pista. Enquanto os mais experientes Dungey e Barcia reclamaram das dificuldades do terreno, Tomac torceu o cabo marcando a volta mais rápida das três corridas.

Infelizmente sua queda espetacular custou caro para o time norte-americano, mas o garoto mostrou seu valor. Muita gente já aposta nele como o sucessor de Villopoto no domínio do esporte na terra do Tio Sam.

Dean Ferris


Dean Ferris

O australiano ganhou novo respeito dos fãs nesta edição do Nações. Comandou seu time à primeira posição nas classificatórias, garantindo o melhor gate para as provas de domingo. Liderou a primeira bateria até saltar para fora da pista numa mesa ainda no início. Na segunda corrida fez o holeshot. Na classificação individual da MX2 ficou atrás apenas de Roczen.

Tommy Searle


Tommy Searle

O britânico trocou as suspensões de sua Kawasaki de Showa para WP e parece que acertou a mão. Terceiro na primeira bateria e quinto na segunda, foi o segundo melhor piloto MX1 do domingo. Volta em 2014 com a confiança e expectativas renovadas.

Mais detalhes

Os grandes ausentes



Jeffrey Herlings estava lá, mas só de passagem

Dois nomes fizeram falta em Teutschenthal e tinham muito para abrilhantar o evento. Como será que Jeffrey Herlings se saíria na disputa junto a Roczen e Tomac? Será que Ryan Villopoto pegava o Cairoli neste circuito da Alemanha? Perguntas que ficarão sem resposta. Quem sabe no ano que vem na Letônia...

E se...


Max Nagl fez um bom trabalho, mas pelas bandeiras dá para notar quem é o verdadeiro ídolo dos alemães

Sempre temos os profetas da recursão com as probabilidades e certezas do evento "se" isso ou aquilo não tivesse acontecido ou fosse diferente. Muita coisa aconteceu nas corridas, o que passou, passou e não vai mudar.

Mas "se" as regras permitissem dois descartes a Alemanha seria a campeã! A queda e abandono de Denis Ulrich (que nem largou na bateria final) acabaram com as chances da equipe da casa. Numa disputa de duplas Ken Roczen e Max Nagl seriam os campeões.

O vento

Num evento com tantas bandeiras o vento abrilhantou o espetáculo deixando tudo tremulantemente bonito. Mas também apavorou alguns pilotos na pista. Acredito que a voada para fora da pista de Dean Ferris foi justamente por causa do vento. Já Max Nagl culpou uma rajada mais forte por desequilibrá-lo num salto e tirar sua concentração na última volta, onde perdeu posições para Dycker e Bobryshev.

450cc para quê?

Já são dois anos e seis baterias sem vitórias de motos 450cc no Nações. Motocross não é corrida de arrancada. Muita gente falou que o circuito de Teutschenthal privilegia as 250cc. Na minha opinião é o seguinte: quanto mais dificultam as condições, melhor se saem os pilotos cujo equipamento exige menos do preparo físico. Foram poucas as pistas do Mundial esse ano onde o deslocamento maior apresentasse uma vantagem clara. Além disso nem na largada essa "vantagem" vem se mostrando produtiva, visto a quantidade de holeshots de Cairoli com as suficientes 350cc.

Por falar em cilindrada, a Husqvarna apresentou sua cross 2t 300cc feita especialmente para o campeonato europeu de 2014. Quase tudo vem das agora irmãs KTM e Husaberg, apenas o visual é próprio.



EUA versus Europa


E voltamos ao ponto polêmico da conversa. Será que o reinado norte-americano no motocross acabou? Durante certo período eles foram soberanos: 12 vitórias seguidas de 1981 a 1993. Houve um tempo em que qualquer pró meia-sola dos ianques fazia um bom estrago contra os europeus.


Ryan Dungey
Um símbolo da época foi a ultrapassagem de Johnny O'Mara sobre o britânico Dave Thorpe no Nações de 1986 em Maggiora, Itália. O'Mara de 125cc e Thorpe de 500cc (está vendo, a discussão sobre cilindrada não é coisa nova). O fato levou a revista Motocross Action a apelidar Thorpe, campeão mundial, de World's Fastest Novice (o novato mais rápido do mundo). Desde então os norte-americanos passaram a enxergar os atletas do mundial como pilotos de segunda classe.

Mas, o mundo dá voltas e mais voltas, as coisas mudam. E certas convicções permanecem as mesmas. A diversidade entre o cross do AMA e da Youthstream aumentou. São quase esportes diferentes. A realidade é que um campeão mundial sofre para se adaptar até conseguir vitórias nos Estados Unidos, vide as recentes transferências de Ken Roczen e Marvin Musquin. Mas um campeão norte-americano também não encontraria facilidades numa transição para a Europa. Veja o caso de Zach Osborne que depois de duas temporadas no Mundial voltou para sua terra natal e imediatamente encontrou resultados melhores do que tinha na Europa. Ou mesmo o caso de Jimmy Decotis (um pró meia-sola?) que tentou algumas etapas do Mundial esse ano e falhou em simplesmente pontuar.

Nos Estados Unidos, o Supercross tomou uma dimensão muito grande e o foco principal de pilotos e fábricas. Antigamente o Supercross era uma vantagem imensa para os americanos, mas hoje a técnica e acerto de uma modalidade para a outra são bem diferentes.


Justin Barcia

Vamos analisar também as diferenças entre os campeonatos de motocross da AMA e da Youthstream:

No AMA são "apenas" 12 etapas. E atualmente essas 12 etapas são eventos de apenas um dia. O evento de um dia torna tudo muito corrido. O cronograma de um piloto é o seguinte: primeiro treino de 15 minutos (5 min livre/10 min cronometrados), segundo treino de 15 min cronometrados. E só! Os classificados vão direto para as duas baterias de corridas com 30 minutos + 1 volta.

No Mundial de Motocross foram 18 etapas e, apesar de alguns problemas políticos, o campeonato está crescendo para 20 etapas no ano que vem. Em dois dias os pilotos têm primeiro treino livre (30 minutos); segundo treino pré-qualificatório (30 minutos); corrida classificatória (25 min + 2 voltas). No dia da corrida: warm-Up (15 minutos); mais duas baterias de 35 minutos + 2 Voltas.

Repararam como os pilotos do Mundial fazem muito mais tempo de pista em cada etapa?

Outro fato que se comentou muito é a diferença na preparação das pistas nos dois campeonatos. Nos Estados Unidos a manutenção da pista é mais frequente entre as baterias. No Mundial a tradição manda a pista ficar intocada a partir do momento que inicia-se a etapa. Os únicos lugares "amaciados" são a reta de largada e a primeira curva para equilibrar as chances iniciais dos competidores.

Em Teutschenthal depois da preparação inicial, choveu e os primeiros treinos foram no barro com a pista ainda macia. Formaram buracos e canaletas fundas, mas o terreno local é duro e quando secou foi quase como se um asfalto encapasse aquela condição deteriorada. Os norte-americanos estranharam a situação, os pilotos regulares do Mundial se sentiram em casa.

Além dessas diferenças, a turma do Mundial roda o globo pilotando em maior diversidade de terrenos, climas, topografia, latitudes... Lembram a areia de Lommel? Os norte-americanos também não tinham visto nada parecido.

O segundo colocado é o primeiro perdedor

 

Na mentalidade ultracompetitiva dos Estados Unidos esse ditado é uma realidade. Não só no Motocross, mas em todos os esportes valorizados por lá. Esportes em que eles não apitam uma paçoca, como futebol e Fórmula 1, são invisíveis por lá, como se não existissem.

O fato é: a equipe norte-americana sai de casa com a obrigação de ganhar, mas nem sempre conta com a dedicação necessária para ganhar, talvez herança dos tempos que venciam com as mãos nas costas. O Nações é apenas mais uma prova no extenso calendário dos pilotos selecionados.

Poderiam ter vencido na Alemanha? Claro, passaram perto disso. Sempre será uma equipe respeitável e uma das favoritas. Precisam só entender que tem outras equipes na briga.

Muitos fãs estão crucificando Ryan Dungey pelo desempenho abaixo do esperado. É uma injustiça com o piloto. O cara é um dos melhores do mundo e já participou de três equipes vencedoras. Podia estar num dia ruim, de mal com a moto, com dor de barriga... ou simplesmente com adversários tão ou mais fortes naquele tipo de terreno. Uma corrida isolada não é parâmetro para definir se A é melhor que B. Competição é assim, um dia se ganha, o outro se perde.

Papelão no pódio


Os norte-americanos subiram ao pódio como crianças emburradas

Indesculpável foi a atuação da equipe no pódio. O time não subiu como segundo colocado, subiu como perdedor. Maus perdedores. De cara fechada mal cumprimentaram os adversários, não abriram a champanhe e deram no pé o mais rápido possível enquanto belgas e italianos celebravam suas conquistas.

Lugar de cara feia é dentro da pista, a atitude de Dungey, Tomac e Barcia no pódio foi de extremo desrespeito e arrogância.



E o Brasil nisso tudo?


Cidade, Faria, Cacau, Rinaldi e Assunção - Foto: César Araújo

Pois é, e o Brasil? Bom, só podemos agradecer a Hector Assunção, Rafael Faria e Anderson Cidade por nos representarem. Agradecer também à equipe Geração Yamaha e ao chefe de equipe Cacau Hermano que operacionalizaram toda a estrutura para a participação Brasileira.

Precisamos pensar em nosso futuro na modalidade agora. Dirigentes, equipes e pilotos precisam estabelecer critérios claros e compromissos logo no início das temporadas. Temos mais três anos para preparar e (pelo menos) tentar enviar nossa melhor equipe. Um dia ainda quero ver o Brasil brigando, não para classificar, mas por um lugar no pódio.

Em 2017 o Motocross das Nações será aqui em nosso quintal. Volto a repetir: precisamos estabelecer os critérios e compromissos o mais breve possível, evitando conflitos que impeçam a formação de um time com nossos melhores pilotos. Até hoje nunca conseguimos levar um time misto ao Nações. Agora, observem os 20 países que disputaram o evento final desta edição. Todos, sem exceção, contaram com atletas competindo com motocicletas de marcas diferentes e isso não foi um problema. Aqui também deve e pode ser assim, porque não? A equipe brasileira deve em primeiro lugar representar o País, não apenas uma marca.







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