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>Colunas > Editorial

Acidente de Jason Anderson: de quem foi a culpa?
Publicado em: 26/09/2016
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Acidente na chegada do Motocross das Nações por pouco não teve consequências trágicas
Redação MotoX.com.br: Lucidio Arruda - Fotos: Reprodução / J. P. Acevedo


Como sempre, o Motocross das Nações 2016 deu o que falar. Quem venceu, quem merecia, quem não foi, quem acelerou e quem amarelou... são questões naturais e que fazem parte da paixão e da cultura do esporte. Juntando tudo isso ao patriotismo e às convicções pessoais, as conversas podem se estender por dias.

+ França mantém a coroa no Motocross das Nações com decisão na última curva

Além da tradicional rivalidade entre países e continentes, mais a competitividade entre pilotos, outro fato chamou atenção no evento: o terrível acidente de Jason Anderson na chegada da segunda corrida. O norte-americano não saltou e rodou lentamente comemorando sobre a mesa, para ser acertado em cheio pelo japonês Chihiro Notsuka.

Felizmente nada de mais grave aconteceu ao norte-americano, nem ao japonês, mas o acidente serve de alerta para algo que está se tornando moda ultimamente e pode causar riscos desnecessários.

De quem foi a culpa?



Em comentários na internet as opiniões se dividem. Entre os que culpam o japonês, até mesmo o respeitabilíssimo chefe da equipe norte-americana, Roger DeCoster, não poupou críticas. Outros afirmam que a "inexperiência" do piloto provocou o acidente, Notsuka teria a obrigação de saber onde estava o vencedor da corrida.

Oras, Notsuka supostamente fez exatamente a mesma coisa que fez durante as outras 15 voltas da corrida! E o que todos os outros 113 pilotos fizeram durante todo o fim de semana!

Por já termos presenciado situações de risco semelhantes tanto em provas profissionais, como em amadoras resolvemos comentar esse assunto.

Eu mesmo já passei por um acidente similar. Foi em 1990 numa etapa do Campeonato Paulista em Araraquara. As baterias eram - ouçam crianças - de 40 minutos mais duas voltas. Um dos pilotos, exausto, após receber a bandeirada no lado direito, resolveu cruzar o topo da mesa para sair da pista pela esquerda. Eu, no ar, não tive como desviar e lembro perfeitamente até hoje do meu pneu dianteiro acertando em cheio o seu ombro. Fomos os dois ao chão e as duas motos caídas logo após a mesa causaram ainda um efeito dominó, envolvendo outros pilotos. Felizmente ninguém se feriu seriamente no episódio.

Em provas regionais já testemunhei o absurdo do vencedor parar em cima da mesa de chegada para saudar o público e... atrás outros pilotos disputavam posições!

Por que a culpa foi de Jason Anderson?

Primeiramente um contraponto aos argumentos "de internet" que tentam desqualificar o piloto japonês. Podemos notar que seus tempos de volta foram perfeitamente decentes. Com uma 250, ele levou apenas 6 segundos de Jason Anderson (de 450) na melhor volta. Marcou praticamente o mesmo tempo de seus companheiros de equipe Kei Yamamoto - regular no Mundial e que, inclusive, já correu no Brasil - e o experientíssimo Akira Narita, com várias passagens pelo AMA Motocross.

Atsuka rodou a 1.3 segundo do tempo de Max Anstie, piloto com vitórias no Mundial. Por falar em Anstie, o britânico sofreu um acidente similar no Nações 2015. A diferença é que ele não rodou o salto voluntariamente: tentava religar sua motocicleta num triplo em descida quando foi atingido por um piloto austríaco.



"Isso só aconteceu porque o Nações mistura pilotos de níveis muito diferentes"

Não é verdade. A diferença entre os pilotos nesse Nações não foi maior do que em qualquer etapa do AMA ou do Mundial de Motocross. Na bateria onde aconteceu o acidente apenas oito pilotos, dos 40 que largaram (um abandonou), tomaram volta. Não é raro o vencedor dar volta em pilotos entre os dez primeiros no AMA. No sábado, pode até haver um ou outro piloto com qualificações abaixo do esperado, mas no domingo a filtragem já foi feita pelas classificatórias.

Temos de ter a consciência que cada vez que entramos na pista estamos arriscando o pescoço. E nossas vidas. Ao cruzar a chegada, o vencedor não pode esquecer que há 39 outros pilotos na pista disputando posições. Que normalmente a rampa de chegada é cega, ou seja, antes de saltar o piloto não tem visão do que se passa do outro lado. Lugar de comemorar é lá na frente, longe da chegada, tem todo o resto da pista para isso. Atsuka defendia a 32ª segunda posição. Quando Anderson o ultrapassou, seu foco passou a ser sueco Alvin Östlund que o pressionava a cerca de 1 segundo atrás. Oh, mesmo que não estivesse disputando posição, saltar aquela mesa é tão natural quanto acelerar e frear sua motocicleta. Anderson, ao menos, poderia ter percorrido o obstáculo à esquerda, fora do traçado rápido.


Jason Anderson fez uma corrida perfeita, mas a vacilada na chegada por pouco não teve consequências catastróficas

Pascal Finot, chefe da equipe francesa, foi claríssimo em suas definições numa entrevista ao site francês Moto Verte. "De quem é a culpa? Dele (Anderson). Em nossos treinamentos uma noção de segurança básica é nunca perder tempo na recepção de um salto. Posso falar francamente porque não houve nada mais sério, mas quem causou o risco foi ele. Espero que isso sirva de exemplo... há alguns anos testemunhei um acidente semelhante que resultou em morte."

Rodar a mesa no meio de uma competição equivale a parar no meio da pista de uma BR para trocar pneu. Sem pisca alerta. De noite!

Evitar a exposição desnecessária aos riscos faz parte da sobrevivência em qualquer esporte ou atividade na vida.

Boa sorte e consciência sempre que enfrentar as pistas ou trilhas.

*Atualização em 28/09
O vídeo abaixo tem o acidente em um novo ângulo, aos 2m35s










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