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> Colunas > Editorial

A ultrapassagem - Marvin Musquin x Eli Tomac
Publicado em: 23/04/2018

Ultrapassagem de Musquin acendeu polêmica na 15ª etapa do AMA Supercross 2018, em Foxborough
Redação MotoX.com.br: Lucidio Arruda - Fotos: Simon Cudby / Octopi / Reprodução Youtube

Francês fez manobra agressiva para recuperar liderança na última volta, mas ela foi exagerada ou fora dos padrões do campeonato? Analisamos as imagens quadro a quadro.


Marvin Musquin e Eli Tomac

Há muito tempo uma ultrapassagem não causava tanta polêmica entre os fãs do Supercross ao redor do mundo. Compreende-se por ser um momento decisivo e que decidiu a vitória a poucos momentos da chegada. Apesar de uma certa falta de carisma, a velocidade pura e as inúmeras vitórias dão a Eli Tomac um enorme fã-clube.

Um grande número de aficionados aponta o dedo para Marvin Musquin. Mas será que a manobra do francês foi realmente maldosa? Ele teve a intenção real de derrubar Eli Tomac? Analisamos as imagens oficiais dos Highlights da classe 450 em Foxborough para chegar à nossa conclusão.

A Arte do Block Pass


 


Kyle Chrisholm e Jean Ramos em Houston
Todos que já competiram pelo menos algumas vezes no motocross já sofreram ou efetuaram um block pass. É a manobra onde um piloto se coloca na linha do adversário, o obrigando a frear ou pelo menos cortar a aceleração. Normalmente o piloto que efetua o block pass utiliza um traçado que não é o mais rápido, mas pode colocá-lo momentaneamente na frente do adversário. Ao quebrar o ritmo do oponente, se ganha a vantagem para efetivar a troca de posições. É preciso um cálculo - e às vezes alguma boa dose de sorte - para efetuar a manobra "limpa" e isso não depende apenas do atacante, mas também do atacado.

No block pass perfeito não ocorre o contato entre pilotos, por isso é importante colocar-se ao lado do oponente antes que ele inicie a aceleração de saída de curva. Do ponto de vista do piloto que sofre a tentativa de ultrapassagem, este pode buscar dois objetivos: 1. Perder a posição, mas evitar o contato e uma possível queda para tentar a recuperação mais a frente. 2. Antecipar-se à manobra e tentar o famoso "x" para manter a posição. Uma terceira via seria contornar a curva o mais rápido possível deixando o oponente "atrasado" e sem a possibilidade de efetivar o bloqueio.

Não há regras que regulamentem o block pass na FIM (Federação Internacional de Motociclismo) ou qualquer federação ao redor do mundo e nem devem haver, pois estariam sujeitas a interpretações pessoais e muito difíceis de traçar linhas exatas de onde estariam os limites. A regra não escrita diz que quem vai levar a pior na dividida que se cuide.

Dito isso tudo, é preciso diferenciar a tentativa de block pass, uma legitima forma de ultrapassagem, com o take out, onde o objetivo é simplesmente derrubar o adversário. Um exemplo de take out ocorreu há algumas semanas em Daytona onde o próprio Eli Tomac confessou que foi para derrubar (e acabou caindo também) Cooper Webb após tomar algumas fechadas do piloto da Yamaha. 


Uma tentativa onde Josh Grant (33) chegou tarde

Vamos analisar um block pass limpo, onde não houve contato entre os pilotos


 

Jason Anderson (21) fecha o traçado na entrada da curva para tentar a ultrapassagem. Cole Seely (14) percebe o ataque e prepara-se para defender a posição.


 

Anderson se posiciona a frente e Seely corta a velocidade para tentar o "X".


 

Seely aguarda a linha livre para retomar a aceleração. Anderson faz o mesmo para tentar completar a ultrapassagem.


 

Não podemos classificar como um block pass "perfeito", pois houve margem para Seely recuperar a posição, mas Anderson confirmou a ultrapassagem mais a frente. Manobra limpa e segue a corrida. 

Usando a Malícia para Derrubar o Adversário

A manobra do atacante deixa de ser limpa, quando ele não deixa nenhuma margem para o oponente recuar.


 

Neste momento Trey Canard já bloqueou Ryan Dungey...


 

...mas continuou fechando a porta até empurrar o oponente para fora da pista. Manobra similar efetuou Weston Peick com Justin Barcia no último sábado em Foxborough.

Cortando a parede

Uma das manobras muito utilizadas em curvas com parede no supercross é a tal "cortada de parede". Onde em vez de fazer uma curva "redonda", o piloto "quebra" sua linha para conseguir um traçado mais reto e com consequente maior espaço de aceleração até o próximo obstáculo.

É uma manobra perfeitamente legitima e que dá resultados, com um porém: deve ser utilizada distante de pilotos que o perseguem. Um exemplo de cortada de parede mal sucedida ocorreu em Anaheim 1 2016 no famoso incidente entre James Stewart e Ryan Dungey. Não se trata de achar um culpado entre Stewart - que cortou para tentar ultrapassar Jason Anderson - ou Dungey - que quicou no obstáculo e perdeu o ponto de frenagem -, apenas notar que se Bubba tivesse feito a linha redonda a corrida teria seguido normalmente, sem a prova ser interrompida com bandeira vermelha.

Na época o ex-piloto David Vuillemin comentou que cortar as paredes nas voltas iniciais do supercross era se expor a um risco alto e indesejado.


 

Dungey (1) quica na cabeça do salto e perde ligeiramente o controle. Stewart (encoberto) está no alto da parede.


 

James Stewart (7) cruza para linha de dentro na tentativa de ultrapassar Jason Anderson.


 

O choque é inevitável.

Os três episódios acima estão contidos no vídeo de Anaheim 1 2016 Highlights. Clique abaixo para conferir as manobras em movimento.

Vídeo



Supercross de Foxborough 2018


Marvin Musquin com Eli Tomac ao fundo em Foxborough

Bom, seguindo as orientações de Vuillemin retratamos a primeira volta da final exatamente na curva onde ocorreu o acidente entre Eli Tomac e Marvin Musquin.


AMA Supercross 2018 - Foxborough

Reparem que a linha de dentro, muito semelhante a usada por Musquin na última volta, não é nada fora do comum e é utilizada por Vince Friese (55).


 

Marvin Musquin (25) vem por dentro praticamente no mesmo traçado que utilizaria na última volta, nada de anormal aqui.


 

Respeitando o bom senso de não cortar paredes no meio do bolo, os pilotos que estão por cima seguem as linhas redondas, representadas pelas bolinhas brancas. Ninguém utiliza o traçado do risco amarelo. Ninguém cruza de fora pra dentro, nem de dentro pra fora.


 

Jason Anderson (21) toma precaução extra e sobe lá em cima na parede onde encontra uma distância maior em relação aos outros pilotos. Musquin freia tudo para não abrir a trajetória. Atrás, Justin Brayton (10) e Cedric Soubeyras também entram na curva com o traçado fechado. A corrida segue normalmente, cada um com seu espaço.

Ultrapassagem de Tomac

Situação um pouco diferente do acidente na última volta, mas ilustrativa.


 

Musquin aponta para a linha interna da curva com o objetivo de defender a posição, mas percebe que Tomac vem embalado.


 

Tarde demais, se mantiver a linha, Musquin vai levar a pior na dividida.


 

O francês recolhe e muda seu traçado para evitar o choque.


 

A corrida segue normalmente.

Última Volta


 

Musquin sente a oportunidade para recuperar a liderança.


 

Neste momento Musquin já está com a linha definida para entrar na curva. Ele não tem como prever o traçado que Tomac vai fazer.


 

No ar, Musquin está completamente comprometido com a linha escolhida. Tomac ainda não está ciente da presença do francês.


 

Este seria o último momento para Tomac "recolher" e evitar o choque, mas ele está focado nos trilhos e inicia a "quebrada" para pegar a canaleta de dentro.


 

Neste momento o choque já é inevitável, mas se a intenção inicial de Musquin fosse simplesmente derrubar, era mais fácil deixar a moto rolar pela linha amarela e Tomac se encontraria com a roda traseira da KTM.


 

Ao contrário, Musquin aplica os freios com toda a força e tenta fechar a trajetória.


 

Momento do choque. Daqui para frente esqueça a etiqueta e salve-se quem puder.


 

Tomac vai ao chão e seu guidão enrosca na KTM.


 

Musquin fica de pé e segue para a vitória.


 

Tomac faz sinal de OK e confirma que a amizade sai fortalecida do episódio... hum... talvez não!

Veredicto MotoX


Kawasaki de Eli Tomac após a 15ª etapa do AMA Supercross.

Marvin Musquin nunca foi considerado um piloto "sujo", adjetivo que comumente é usado para descrever vários outros pilotos que não vou citar aqui. Pelo contrário, Musquin muitas vezes foi criticado justamente pela falta de agressividade. Em Foxborough ele percebeu a chance de recuperar a vitória e a aproveitou.

A manobra de Musquin foi agressiva? Foi, provavelmente ele não teria tentado caso não fosse pela vitória na última volta. A manobra de Musquin foi desleal ou suja? Não. Em nenhum momento ele deixou Tomac sem opções de recolher. A única culpa de Musquin no episódio foi se sentir intimidado com a repercussão e tentar dar muitas explicações nas entrevistas seguintes.

Quem deixou Tomac sem opções foi o próprio ao focar exclusivamente nos trilhos (olhando para o chão e não para a saída da curva) e não perceber a aproximação do adversário. Podemos apontar o dedo para Tomac? Obviamente não, analisar as imagens depois do ocorrido é "fácil", tomar as decisões sob pressão em milésimos de segundos é outra história.

Porém a repercussão toda do episódio foi demasiadamente exagerada, incluindo a postura dos pilotos na coletiva de imprensa mais estranha da história do supercross. Foi apenas um lance normal de corrida e bola pra frente. No próximo sábado tem mais.

Vídeo Foxborough Highlights









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