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> Colunas > Direto dos EUA - Edu Erbs

Motocross das Nações, Silly Season, MEC e Straight Rhythm
Publicado em: 11/10/2017

Motocross das Nações, Silly Season, Monster Enery Cup, Red Bull Straight Rhythm... muita coisa acontecendo na off-season. Vou tentar resumir alguns detalhes do que está acontecendo por aqui
Redação MotoX.com.br: Edu Erbs - Fotos: J. P. Acevedo / Bavo / S. Cudby / Divulgação


França comemora o quarto título seguido no Motocross das Nações


Mesmo afastado das competições de motocross há um ano, Christophe Charlier entregou um resultado mais que suficiente ao time
Começando no que (talvez) seja a prova de maior prestígio do motocross mundial, o Motocross das Nações, que aconteceu na gloriosa pista de Matterley Basin nos arredores de Manchester, na Inglaterra. Em um dia típico do país, com uma garoa incessante e uma nevoa logo acima do belo gramado que contorna o circuito, o time francês confirmou seu favoritismo conquistando o quarto titulo consecutivo no evento, mesmo com a comentada contratação de última hora do piloto (agora) de enduro Christophe Charlier para a vaga da MX2.

+ Motocross das Nações 2017: os principais destaques da competição em Matterley Basin, Inglaterra
+ Motocross das Nações 2017: série com bastidores e corridas dos campeões

Em segundo vieram os holandeses que, apesar de não fazerem parte dos favoritos para muitos, na minha opinião era o time que tinha condições de surpreender os franceses com Jeffrey Herlings podendo ser considerado o piloto mais rápido do motocross mundial. Entretanto, assim como ano passado, Glen Coldenhoff teve boas largadas, mas não conseguiu lidar com a pressão (e com a lama) do evento. Em terceiro vieram os Ingleses, que muita gente considerava os favoritos por correr em casa. Max Anstie levou o público ao delírio vencendo a primeira e terceira baterias do do evento, porém Dean Wilson e, principalmente, Tommy Searle, não tiveram a mesma performance, mas ainda acabaram no pódio.


Holanda ficou com a segunda posição

Os Estados Unidos tiveram a pior performance em décadas com somente a nona posição geral. Zach Osborne, capitão do time, teve uma boa performance ficando na segunda colocação no overall na MX2, atrás do australiano Hunter Lawrence, mas o azar do time americano começou logo na primeira bateria do domingo com uma falha no amortecedor da CRF 450R de Cole Seely. E a mesma quebra se repetiu na terceira bateria, com a American Honda mais tarde fazendo um press-release explicando que o acúmulo de lama e o peso do barro ocasionaram o problema fazendo o suporte que segura a mola traseira a cair. Veja bem... a culpa não foi da suspensão...a culpa foi do peso da lama! Coitada da lama... não pode nem se defender das acusações! Para fechar o vexame americano, Thomas Convington correu o domingo com dores no joelho depois de uma queda na qualificação do sábado pela categoria Open. Na segunda-feira descobriu que teve um rompimento no ligamento cruzado, lesão que lhe afastará das pistas por pelo menos quatro meses.


Com problemas na suspensão traseira Cole Seely não completou nenhuma das baterias

Desta vez, a maioria dos americanos já estava consolada que talvez um pódio seria um grande resultado devido ao calibre do time deste ano. Com o anúncio oficial que a próxima edição da prova será em Red Bud, a discussão já esta aberta para quais pilotos deverão representar o país, se devem fazer mudanças nos dirigentes do time... etc, etc. Porém, como abordei aqui em outras colunas, o principal motivo de vários pilotos optarem por ficar de fora do evento é a data, que fica muito longe da final do AMA Motocross e muito perto do Monster Energy Cup. Em 2018 as coisas tendem a piorar já que a data (não oficial) do evento é o dia 7 de outubro, no fim de semana que antecede o Monster Energy Cup... assim parece que Eli Tomac já deu seu parecer de que provavelmente também ficará de fora do evento no ano que vem.

Muita gente acha que correndo em casa, não tem como os Estados Unidos perder a prova, mas digamos que Eli Tomac não corra, e o time francês alinhe com Romain Febvre, que tem performances fenomenais no evento, ao lado de Marvin Musquin e Dylan Ferrandis que são pilotos com base nos Estados Unidos... meu voto neste momento ainda fica com a equipe da França.

Monster Energy Cup e prováveis mudanças no Supercross 2018


Eli Tomac na edição 2016 do Monster Energy Cup


Tim Gajser
Mudando de assunto, falando um pouco do Monster Energy Cup, o evento que acontece neste fim de semana em Las Vegas promete responder algumas perguntas que muita gente tem nesta off-season. Para mim, as duas maiores incógnitas vêm vestidas de vermelho via Justin Barcia e Tim Gajser.

O esloveno bicampeão mundial há dois anos planeja participar do evento, mas contusões lhe deixaram de fora. Tim já está no país treinando e testando supercross e parece bastante otimista. Já Justin Barcia, que atualmente se encontra sem contrato para a temporada seguinte, acabou comprando uma Honda e alinhará no gate com o seu próprio dinheiro para quem sabe impressionar algum dos times que possívelmente precisarão de um piloto suplente para a temporada do Monster Energy Supercross.

Falando em pilotos suplentes, a Factory Yamaha que há poucos dias confirmou a contratação de Davi Millsaps e a participacao no MEC, talvez precise de alguém para substituí-lo pois o piloto sofreu uma violenta queda no final de semana que provocou uma forte concussão e lhe deixou com o cotovelo esquerdo fraturado.


Davi Millsaps "estreia" de molho na Yamaha

Além disso, Justin Boggle e Broc Tickle fazem suas estreias em times novos, mas o foco do evento estará na briga Eli (Tomac) versus Marvin (Musquin) e se um deles poderá levar um milhão de dólares para casa.

Uma novidade legal deste ano no MEC, é que a famosa Joker Lane, ao contrário dos outros anos, fará um tracado mais rápido do que as voltas convencionais, então mais do que nunca os pilotos terão que usar uma boa estrategia para utilizar esta linha que poderá dar uma grande vantagem quando estiverem brigando por posições.



Para quem assistir a corrida, é bom fazer algumas anotações sobre o evento porque me parece que grandes mudancas virão para o Monster Energy Supercross em 2018. Apesar destas declarações ainda não serem oficias, dentre as principais, posso começar destacando que as provas usarão as grades de metal nas largadas assim como o MEC do ano passado e os GPs deste ano. Além disso, parece que a estrutura de pontuação será mudada e infelizmente não veremos mais as qualificatórias via semi, com isso ambas as classes terão somente os Heat-races e o Last Chance Qualifier. A mudanca mais interessante ao meu ver, é que talvez teremos três provas do ano com o mesmo formato do Monster Cup, onde os pilotos se qualificarão durante o dia, e a noite teremos três finais com 12 voltas cada, mas pelo que parece, não veremos a adição do Joker Lane nestas provas.



Apesar do Monster Energy Supercross ser o segundo campeonato motociclístico com mais audiência no mundo, estamos ainda muitíssimo longe do prestígio e da audiência que o MotoGP tem. Eu acho que mudanças são realmente importantes para criar mais interesse, mais drama e fazer as pessoas ter o que falarem durante a semana e, com isso, gerar mais interesse de patrocínio para que o óbito de times como a RCH Suzuki não aconteça com tanta frequência. O esporte com certeza precisa de mais investimento, de mais profissionalismo e de modernização.

Novidades no Red Bull Straight Rhythm




O Red Bull Straight Rhythm também trará novidades para este ano com a criação do Ken Roczen Two Stroke Challenge. Para a minha surpresa, nomes como Chad Reed e Ryan Villopoto estão inscritos no evento que promete grandes batalhas com o veterano Ronnie Mac. Ano passado Josh Hill  surpreendeu com uma vitória sobre o veterano Kyle Cunningham abordo de uma Alta, movida a eletricidade. Este ano Hill promete voltar ao Straight Rhythm com mais experiencia e melhorias feitas ao equipamento e, quem sabe, mudar o jogo.

Para terminar, vamos falar um pouco de Silly Season.

Sem dúvida um dos fatores mais interessantes deste ano ficou por conta da contratação do australiano Hunter Lawrence pela Geico Honda. O piloto que corre pela equipe oficial Suzuki na Europa, vem dando o que falar depois de ótimas performances nas últimas provas do Mundial de Motocross e no Nações. Com o possível fechamento da equipe, o piloto conseguiu sair do seu contrato atual para defender, al lado de Bas Vaessen,  as cores da Team 114 Motorsports Honda - equipe de Livia Lancelot -  na classe MX2 em 2018 antes de migrar em tempo integral para os Estados Unidos em 2019.


Hunter Lawrence

Há alguns anos, 1º de outubro era um dos dias mais importantes do ano. Sem mídias socias, telefones celulares ou câmeras, era quase impossível para o público saber o que se passava nas pistas de testes aqui em Corona, quem estava machucado, e principalmente quem estava sendo contratado por quem. "In"-felizmente, no mundo em que vivemos hoje em dia, o mundo do "agora", todo mundo quer ter acesso a informação em tempo real, e assim também fica quase impossível se guardar qualquer tipo de segredo. Dia 1º de outrubro tivemos algums anúncios oficiais, mas que já foram relatados nesta coluna semanas ou ainda meses atrás. Justin Hill na JGR, Millsaps na Factory Yamaha, Dávalos de volta à Pro Circuit Kawasaki e por aí vai...

As grandes questões deste ano ficam por conta de Chad Reed que estes dias andou postando uma foto de sua garagem com uma KTM e uma Honda ao lado de sua "vintage" YZ250 dois tempos. Além dele, os irmãos Stewart ainda são um ponto de interrogação que praticamente ninguém sabe para onde vão... se é que eu ainda posso usar o plural, pois duvido que James esta indo a algum lugar.


  A garagem de Chad Reed com Yamaha, KTM e Honda

Ate então o que parece é que, assim como Justin Barcia, Chad Reed (provavalmente abordo de uma Honda) e Malcolm (provavelmente a bordo de uma Suzuki) irão competir no Monster Energy Supercross por equipes privadas com fomento de alguns patrocinadores, mas na grande maioria com dinheiro próprio. Se olharmos para trás, Dean Wilson ano passado apostou em si mesmo e isso acabou pagando grandes dividendos ao piloto que hoje anda de moto de fábrica e tem um bom salário.

Realmente o esporte não está passando por um momento fácil. Quem iria imaginar que nomes como estes que tem importantes campeonatos nos seus currículos estariam desempregados e correndo com seu próprio dinheiro?! Espero que de certa forma o esporte se reinvente logo pois precisamos de mais suporte, principalmente financeiro para que os nossos finais de semana continuem ainda mais floridos.

Frase da semana
"Defeat is a state of mind, no one is ever defeated until defeat has been accepted as reality".
Bruce Lee







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