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>Colunas > Editorial

Por que Ryan Villopoto deveria ser penalizado em St. Louis
Publicado em: 07/03/2013
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Piloto desrespeitou sinalização duas vezes, mesmo assim saiu como vencedor da etapa
Redação MotoX.com.br - Lucídio Arruda - Imagens: reprodução do You Tube


Momento da polêmica ultrapassagem.
Repare a bandeira médica e a amarela à direita na imagem.


Assista aos vídeos da prova na MotoX TV
A grande polêmica essa semana entre os fãs do supercross norte-americano foi sobre o atual campeão Ryan Villopoto e punições, ou mais exatamente a falta delas. O ocorrido mostrou que mesmo o campeonato do motociclismo off-road mais profissional do mundo ainda sofre com o amadorismo dos responsáveis em aplicar o regulamento.

Durante o evento de St. Louis, Villopoto desrespeitou por duas vezes a bandeira branca com a cruz vermelha, que indica perigo a frente e que pessoal de apoio se encontra dentro da pista. Vamos chamá-la de bandeira médica, embora seja aplicada não apenas apenas quando a equipe médica esteja na pista.

A primeira falta de Villopoto aconteceu logo no início da prova ultrapassando Mike Alessi na área sob bandeira médica, onde Kyle Chrisholm era atendido. A segunda falta foi quando assumiu a liderança sobre James Stewart, também em área sinalizada sob bandeira médica.


Stewart avista a primeira bandeira médica antes do triplo
Clique na imagem para assistir ao vídeo

O primeiro episódio ocorreu pouco antes da prova ser interrompida. Villopoto foi comunicado por um oficial que perderia três posições ao final da corrida. A resposta do piloto foi a seguinte: "Ei, a corrida vai ter relargada, porquê não aplicar a punição agora?" E neste ponto aconteceu o primeiro erro. A direção aceitou o pedido deixando o piloto decidir quando tomar a punição, dando-lhe a chance de revertê-la (na pista), o que acabou anulando a mesma. A discussão pode não ter fim sobre se a punição durante o intervalo forçado foi correta ou não, mas pelo menos neste episódio a direção de prova tomou alguma atitude.

Já na questão da ultrapassagem sobre James Stewart nada foi feito, e vejam bem, ele desrespeitou a mesma bandeira que lhe gerou uma punição um pouco antes, ainda assim a AMA deixou a falta passar em branco.


Depois do triplo mais uma bandeira médica. Um piloto parado e o pessoal de apoio dentro da pista na próxima curva. Os pilotos devem ter "máxima cautela" até aquele ponto.

O Diretor de Prova da FIM, John Gallagher deu a seguinte justificativa ao site Racer X: "... depois do triplo havia uma sequência de obstáculos. Lá as bandeiras amarelas eram agitadas, quando o piloto passa a área da bandeira médica e então entra sob bandeira amarela as regras revertem para a bandeira amarela. Ultrapassagens não são ilegais sob bandeira amarela, mas os pilotos devem seguir com "extrema cautela".

Vamos analisar a disposição sobre as bandeiras no regulamento (no original em inglês):

 b. Warning Flags
1. Yellow Flag Or Yellow Light:
Waving Yellow Flag or Yellow Flashing Lights: Indicates serious hazard on or near the track. This includes the sighting or cool down laps.
• Passing is allowed
• Proceed with extreme caution.
...
3. White Flag with Red Cross:
In Supercross this flag or a red flashing light may be displayed at the beginning of a triple jump or a series of  jumps. The riders must roll each jump individually with no passing and exercise extreme caution until they are past the area of concern, this includes the sighting or cool down laps.

No regulamento não há nada que indique que uma bandeira anula a outra, e é bem claro: Os pilotos devem rolar cada salto individualmente sem ultrapassagem e utilizar extrema cautela até passar a área de atenção...


Se a bandeira amarela anula a bandeira médica, como diz o diretor de prova da FIM, essa bandeira médica no primeiro quadro seria inútil, não deveria estar aí.

É obvio que a área de atenção é onde se encontra o piloto caído ou em atendimento. Até lá temos que acalmar a disputa, deixar a competição momentâneamente de lado e privilegiar a segurança do local. Passada a área de atenção, a disputa continua. No vídeo onboard de Stewart, que mostra o incidente pouco depois dos 4 minutos, está registrado que Villopoto efetuou a ultrapassagem antes de passarem a área de atenção, onde Robert Kiniry já estava de pé, parado na pista, tentando religar sua moto, mas havia também integrantes da equipe Asterisk (que presta atendimento) dentro da pista.

A afirmação de Gallagher cria pontos nebulosos na interpretação do regulamento. James Stewart afirmou depois da prova que foi surpreendido numa área onde todos deviam tomar cuidado.


Pessoal de apoio e piloto parado na pista. A disputa deve recomeçar DEPOIS deles.

Um erro grave do regulamento

Permitir ultrapassagens e ao mesmo tempo exigir o máximo de cautela dos pilotos sob bandeira amarela é uma contradição e tanto. Não é preciso raciocinar muito para perceber isso. Permitir ultrapassagens anula completamente o sentido de gerar um área de segurança no entorno do ponto de atenção. Que eu saiba o AMA Supercross é a única modalidade de esporte a motor que permite ultrapassagens sob bandeira amarela. Isso tem de ser revisto.

O que a falta de ação da direção de prova pode causar?


Epa! O que que é isso?

A questão aqui não é o resultado da prova. Ryan Villopoto era claramente o mais rápido na pista de St. Louis. Se não ultrapassasse Stewart naquela volta o faria uma ou duas depois. Veio da sexta posição para primeiro depois da relargada.

Mas cometeu uma falta. E uma falta grave! Desrespeitando uma bandeira que indica problemas sérios à frente. A autoridade da direção de prova não pode deixar espaço para dúvidas. Tem de aplicar o regulamento para todos. Seja um candidato ao título, seja um participante sem pontos que tente apenas se classificar para o evento noturno.

A falta de ação demonstra que a questão da segurança fica em segundo plano aos olhos da direção de prova. A competição no Supercross (assim como no Motocross) exige altas doses de raciocínio rápido, agressividade e sangue quente. A mudança de comportamento precisa ser clara durante a aplicação das bandeiras de perigo. A falta de punições pode fazer com que os pilotos enxergem nas bandeiras de atenção uma oportunidade para ultrapassar o próximo adversário, e isso é a última coisa que deve ocorrer para a segurança do piloto que está caído e do pessoal que trabalha na pista.

Em St. Louis temos que lembrar também que David Millsaps protestou uma ultrapassagem duvidosa de Ryan Dungey sob bandeira médica. O juri da prova rejeitou o protesto.


WTF?

Histórico recente

O campeonato do AMA Supercross já tem um histórico, digamos, interessante na questão de punições a pilotos que disputam os títulos. Em 2006, Ricky Carmichael foi penalizado nos 25 pontos de uma vitória porque seu combustível apresentou chumbo acima do limite do regulamento, embora o valor fosse tão baixo que em nada afetava a performance.

Sentindo-se injustiçado o piloto anunciou que abandonaria o campeonato para preparar-se para o motocross, pois suas chances ao título ficavam muito remotas. Para não perder uma das principais estrelas do campeonatoa AMA reverteu a punição em um multa de 20.000 dólares.

Outra punição revertida aconteceu em 2004, após Kevin Windham jogar David Vuillemin para fora da pista num agressivo block pass em Houston. Windham levou para casa a premiação daquela noite, mas perdeu os 25 pontos da vitória. Algumas semanas e recursos depois a pontuação de Windham foi devolvida, talvez por algum medo da AMA em influenciar o resultado final de um campeonato.

No caso de St. Louis talvez esse tenha sido o motivo de fazer vista grossa à peripécia de Villopoto.









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