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Pérsio Mattos
Publicado em: 03/02/2015

Empresário representa no Brasil, através da SportsCo, três importantes marcas: Fly Racing, Pod e 100%
Redação MotoX.com.br - Fotos: Maurício Arruda


Pérsio Mattos

Quando se fala em equipamentos de proteção para os esportes duas rodas no Brasil, a Silva Mattos, detentora da distribuição de marcas internacionais consagradas e criadora da ASW, é um nome que se destaca. A empresa sempre foi conhecida por ditar tendências e se reinventar à medida que o mercado exigia. Diante de um novo cenário, e com anos e anos à frente dos negócios junto com os irmãos Dimas e Paulo, o empresário Pérsio Mattos deu uma guinada na carreira e utilizou a experiência de quase três décadas para criar no ano passado uma outra empresa.

Surgia a SportsCo, idealizada por ele, Dimas e pelo sobrinho Leandro. A nova empresa chegou com força total, oferecendo três marcas de peso: a Fly Racing (linha completa de equipamentos), a Pod (joelheiras) e a 100% (óculos e luvas). A aposta já deu sinais de que valeu à pena, pois a aceitação no mercado tem sido excepcional. Para saber mais sobre a empreitada, o MotoX esteve na sede da SportsCo, em Mogi das Cruzes (SP), onde Pérsio falou dos desafios do novo negócio, das possibilidades para o futuro e dos percalços do segmento no país.


Fly Racing, Pod e 100% são representadas no Brasil pela SportsCo

Cada detalhe do novo negócio foi muito estudado. "Tivemos a idéia de abrir a SportsCo porque entendemos que o foco na marca é muito importante. A Fly é uma marca que precisava ter um foco específico aqui no Brasil para conseguir ter mais sucesso. Eu idealizei três marcas muito boas e fortes naquilo que fazem, que são a Fly em equipamentos, a Pod em joelheiras e a 100% em óculos. São marcas muito voltadas para o motocross e para o enduro, que têm produtos específicos nesse mercado e com os quais eu sempre gostei de trabalhar. Então, depois de 26 anos trabalhando com meus irmãos na Silva Mattos eu idealizei esta empresa em que hoje sou sócio", explicou Pérsio.

Segundo ele, apesar do pouco tempo de criação da empresa, os resultados são os melhores possíveis e a expectativa para o futuro também. "Estamos tendo uma receptividade muito boa dos grandes lojistas, que abraçaram esta causa e reconhecem o potencial. E, muito mais importante que o potencial da marca é o potencial de trabalho que sempre executamos aqui no Brasil. Eles me conhecem há muito tempo, sabem do nosso foco e do nosso trabalho. Conhecem e gostam de trabalhar com a gente e isso fez com que nesse início de empresa tivéssemos um sucesso acima do esperado", destaca.


Os resultados positivos e as perspectivas fazem até mesmo com que a SportsCo já pense em uma expansão, como por exemplo a fabricação de alguns itens em território nacional. "Nós que moramos no Brasil, sabemos muito bem as situações que encontramos aqui. Um dia o dólar é favorável à importação, no outro é inviável. Ele oscila muito. Pode acontecer de tudo e eu já vi de tudo nesses 27 anos de empresa. Já vi governo bloquear dinheiro de todo mundo. Aumentar o dólar para R$ 4,00, baixar para R$ 1,00. Moramos em um país que pode acontecer de tudo e acho que esse é o grande foco da nossa empresa e do nosso grupo. Temos essa possibilidade junto com a Fly, que já sinalizou que se precisarmos fabricar alguma coisa aqui, eles vão nos dar todo o suporte. Hoje, todos os nossos produtos são importados. O amanhã depende muito do ambiente externo, do que vai acontecer com a economia, com a política, mas se precisar, temos totais condições de fazer um produto aqui no Brasil com qualidade e ser um licenciado da Fly e das outras marcas."

Além da Fly, que tem a linha mais ampla comercializada pela empresa, as outras marcas também tem demonstrado um potencial enorme, como a 100%, hoje uma das fabricantes de óculos de maior sucesso no mundo. "A 100% nasceu há muitos anos. Foi criada por um mecânico de motos, muito conhecido no meio do motocross. Vários pilotos usavam as roupas da marca para ajudar. Ele só fazia camisetas e vendia nas corridas, depois ele faleceu e durante muitos anos a marca ficou sem utilização. O Ludo (Ludovic Boinnard) e o Marc (Blanchard), que foram as pessoas que fundaram a One Industries e que depois venderam a empresa, compraram a marca e lançaram a linha de óculos, inicialmente. Hoje em dia, eles estão ampliando essa linha com luvas. É uma história muito interessante porque são empresas com foco no motocross e no enduro que fizeram um produto de uma qualidade incrível e hoje já é um dos principais óculos do mercado no mundo todo".


O mercado de motocicletas off road, não só no Brasil, está em uma fase de altos e baixos. No exterior as motos ficaram mais caras e a quantidade que se vende é menor, com isso, Pérsio afirma que é preciso encontrar alternativas. "Eu acho que esse é um mercado de nicho. Nós fazemos trilhas e andamos de motocross por paixão. É uma coisa que gostamos de fazer. Existem muitas situações e dificuldades que estão surgindo, como leis ambientais que dificultam isso, mas de certa forma, as pessoas encontram formas e maneiras de praticar o esporte porque é uma coisa que está no sangue. O mercado vai passar por transformações, sejam as motos elétricas, sejam outros combustíveis não tão agressivos ao meio ambiente. Mas, de qualquer forma, as coisas vão se adaptar e as pessoas vão continuar praticando o esporte. O mercado é muito específico, não é um mercado de grande massa. Muitas pessoas que buscam esse mercado se surpreendem, porque ele é limitado, mas é movido por muita paixão, então, ele vai sempre existir", projeta.

Mesmo com algumas dificuldades, o empresário acredita que no Brasil, ainda há um futuro muito próspero para esse mercado. "Eu acho que o mercado no Brasil está crescendo ainda, ele está amadurecendo. Nós somos praticamente a primeira geração que está andando de moto. Os nossos filhos estão começando a andar agora. Os nossos pais não andavam de motocross. Havia resistência. Quando meus irmãos começaram a andar, meus pais não gostavam. Eles tiveram que quebrar isso. Muitas pessoas que estarão lendo essa reportagem agora, vão perceber essa mesma situação. Já os nossos filhos não vão ter que quebrar isso. Moto já não é aquele negócio de outro mundo, aquilo que é só perigoso, é também muito prazeroso, é muito bacana e é um meio que se vive em família também. É muito legal você chegar no fim de semana e fazer uma trilha com seu filho de 15 anos, em vez do seu filho ir para a balada no dia anterior", defende.


"Acho que o mercado está amadurecendo no Brasil, porque ele está aprendendo o que é bom e o que é ruim".

Mas, Pérsio também acredita em um mercado mais seletivo no país, que hoje já entende a importância de se utilizar um produto com qualidade e não somente com preço baixo. "Acho que o mercado está amadurecendo no Brasil, porque ele está aprendendo o que é bom e o que é ruim. Essa é uma das coisas que eu toco muito na tecla porque um tempo atrás, só se fazia produto de qualquer coisa, não se pensava na qualidade, se pensava no custo. Quando falamos de esportes tão específicos quanto o motocross e o enduro, a qualidade é fundamental porque eles têm risco de lesão. Então, mesmo não sendo atleta profissional também é preciso pensar na sua segurança. É claro que existem produtos com todo tipo de preço e qualidade, mas alguns não trazem nenhum tipo de segurança, muito pelo contrário, podem até te machucar. Muitas vezes, os produtos só estão no mercado por uma questão pura e simples de preço. Acreditamos que o mercado está amadurecendo, vai entender o que é um produto de qualidade e o que não é. Por isso, focados nessa questão estamos trazendo os produtos da Fly, que têm um bom custo-benefício. A Fly vai ser hoje, sem dúvida nenhuma, o primeiro produto importado em questão de preço. O equipamento importado de marca internacional que vai ter o melhor preço no mercado brasileiro. Apostamos que os nossos pilotos vão poder usar um equipamento melhor por um preço mais acessível."

Prática comum na Silva Mattos, o patrocínio de atletas também é algo previsto como estratégia de marketing da SportsCo. "O marketing é formado por vários investimentos. Atleta é um deles. Acreditamos que participar com o MotoX no site é super importante para a divulgação da marca. Temos algumas outras ações de mídia, participação em eventos, não só em corridas, mas também em salão. Todas essas coisas são importantes e compõem um conjunto. Outra coisa muito importante para mim, dentro do marketing, é a exposição no ponto de venda, saber expor bem o produto, ter banners, enfim. E, pilotos são outra forma de divulgar a marca. Já no ano passado, nós tivemos com a Pod vários pilotos patrocinados e também com a 100%, a equipe Yamaha Geração, composta pelo Thales (Vilardi) e o (Carlos) Campano, que usam os nossos óculos. E também os pilotos que usam a nossa joelheira, que são patrocinados, como o Machito (Humberto Martins), o próprio Thales, o francês Adrien Metge e outros que não são patrocinados que usam a marca. Na Fly, não fechamos com nenhum atleta em 2014 porque chegamos no meio da temporada. Temos alguns de bicicross, mas temos interesse em ter atletas de motocross", revela Pérsio.


Como grande conhecedor do cenário internacional das duas rodas, o empresário também acredita que o Brasil precisa passar por reformulações na área de competições para ganhar mais desenvolvimento. "Nosso mercado sempre reclama muito de que não existe um trabalho continuo no motociclismo nacional. Nosso grande problema hoje são as nossas categorias de base. Não se investe nelas. Com isso, me refiro a todos nós. Somos responsáveis por isso, desde as pessoas que são da mídia, as que são contrárias, a CBM, os patrocinadores etc. Todo mundo quer o imediatismo. Todos querem patrocinar aquele que está ganhando. Se existisse um esforço grande de todas as pessoas, para que entendêssemos que nossos pilotos precisam vir de baixo e essa é a base que vai fomentar o mercado no futuro, trabalharíamos diferente. Temos um grande professor que é o mercado americano. Trabalhamos com a Fox por 24 anos e agora com a Fly, e sempre tivemos eles como um grande professor. Eles têm todo um planejamento com todas as categorias de base, com o Loretta Lyns e todas as competições regionais, que levam para o Nacional Amador e, somente depois o piloto passa para o profissional. A receita do bolo está prontinha. Era só adaptarmos aqui no Brasil, mas aqui gostamos de inventar as coisas. Então, começamos a errar, dar tiro no pé. Não adianta querer inventar. Tínhamos que pegar um modelo que já existe, que funciona e que está pronto e só adaptar para o Brasil", exemplifica.

Para o empresário, o segmento precisa amadurecer em todos os lados. "Aqui é muito engraçado. Muitas vezes você vê na mídia uma reportagem, em um espaço nobre, às vezes na capa de uma revista um garoto de dez anos, que é totalmente amador ainda, que está começando no esporte e tem status de super star, no lugar de um piloto super star da categoria 450cc, mais profissional. Se a gente hoje faz isso tira o brilho desses caras, nunca vamos ver em uma grande revista dos Estados Unidos um piloto amador na capa. São essas coisas que ainda precisamos amadurecer no nosso esporte. Tem um professor lá fora. Porque não trazemos essas lições, não fazemos esses campeonatos? O formato dos campeonatos brasileiros são pelo imediatismo, eles querem o resultado ali, agora. Não podemos ter essa cabeça. Precisamos amadurecer. Os pilotos mais experientes são os que vão receber mais por isso. Quando um piloto de 65cc vai a um campeonato nacional, ele pega uma pista que não é preparada para ele. Se chove no dia anterior, a pista fica muito pesada e ele não consegue andar e aí você atrapalha a carreira de um garoto desse. Essa é a verdade".



"A Fly vai ser hoje, sem dúvida nenhuma, o primeiro produto importado em questão de preço".
Outro argumento, é o alto custo das viagens, que dificulta a participação de muitos novos pilotos.  "Fica caro para um garoto ir ao outro lado do país disputar um campeonato brasileiro. Ele tinha que disputar as corridas regionais, aí, você vai ter um evento no ano que vai juntar todos esses campeões regionais para definir quem são os caras. Fazer um grande 'Loretta Lyns' (Campeonato Nacional Amador dos Estados Unidos). Aí você consegue fazer e daí surgem os grandes nomes que as empresas vão querer contratar, apoiar. No Loretta, por exemplo, não existem só as categorias de criança, há também a 125cc, 250cc modificada, 450cc, porque já são garotos maiores, de 15 e 16 anos, mas que ainda são garotos, ainda são amadores. Nós confundimos tudo. Aí, o cara quando se torna profissional, que merece ter um salário, receber mais, você tem um mercado", explica.

"Sou meio criterioso para competições. Nós fizemos um tempo atrás algumas etapas do Campeonato Brasileiro de Minicross. Estávamos tentando separar a 50cc, que é uma categoria impossível de andar no Brasileiro. Era uma etapa super bacana, porque era uma pista preparada para a molecada, as crianças tinham um ambiente familiar feito pra elas. Encontramos pessoas como nós, inclusive concorrentes que dividem essa mesma paixão e que querem fazer um negócio não para ganhar dinheiro, mas querem fazer acontecer porque têm paixão. Isso é o que precisava fazer. Quando entram interesses pura e exclusivamente financeiros, você mata o esporte, porque essas crianças, realmente não dão retorno nenhum para ninguém nesse momento, elas darão no futuro. Acho que o assunto competição precisa ser revisto. Vemos muitos dos nossos atletas reclamando dos custos envolvidos. O Brasil é um país muito grande. É tudo diferente, sendo que existe uma fórmula lá fora que a gente poderia fazer aqui também. Falta boa vontade e aí surgem as desculpas, quando você quer fazer existem formas e meios de fazer", analisa Pérsio.

O empresário finaliza dizendo que espera muito da SportsCo, mas não somente no que diz respeito ao faturamento ou números de venda, mas em muitos outros aspectos. "A SportsCo é uma empresa que nasceu para trabalhar pelo esporte. Temos objetivos claros de trazer produtos de alta qualidade, trazer ao consumidor brasileiro um custo-benefício melhor possível. Nós não somos uma empresa que olha somente para os números de venda. Somos uma empresa que vive o esporte, gostamos do que fazemos e nessa condição, queremos trazer o melhor para as pessoas, para os atletas, que eles tenham acesso a produtos de melhor qualidade a um preço mais acessível", encerra.


Coleção de miniaturas que faz parte da decoração do escritório da empresa







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