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Olivier Pain comenta suas impressões sobre a rota 2015 do Rally Dakar
Publicado em: 29/12/2014

Francês da Yamaha explica o que vem pela frente na próxima edição do evento
Redação MotoX.com.br: Carolina Arruda - Fotos: Divulgação / Yamaha


Olivier Pain


WR450F Rally
A poucos dias da largada do Dakar, Olivier Pain, da Yamaha, apesar da ansiedade, dividiu com os fãs aquilo que espera da edição 2015 do evento. O francês, terceiro colocado na edição 2014, analisou os próximos 9 mil km que enfrentará, quase 5 mil deles contra o relógio. Nas palavras de Pain, parece que mais uma vez o Dakar vai confirmar por que é o rally mais temido do mundo: "Se olharmos a rota mais atentamente, é possível supor aquilo que nos espera."

Veja também: Motos e quadris enfrentarão maior percurso do Dakar 2015

"A primeira coisa que me vem à cabeça quando vejo a edição 2015 do Dakar é a similaridade da rota com o trajeto da primeira vez em que a competição aconteceu na América do Sul em 2009, também com largada e chegada em Buenos Aires.

Me lembro bastante das multidões que vinham nos ver e tenho certeza que teremos muitos espectadores de novo. É um ótimo jeito de começar uma corrida: não dá para evitar, o entusiasmo dos fãs é contagiante. Já até imagino como será a recepção durante nossa passagem pela Argentina, Chile e Bolívia. Mas é certo que, em 2014, nenhuma recepção nos preparou para o nível de dificuldade que enfrentamos na primeira semana da competição."

1ª Semana


Olivier Pain

"No primeiro dia, teremos um estágio bastante longo, mas com uma especial curta com 175 km para 663 de deslocamento. O prólogo foi anunciado como gigante e sem maiores dificuldades, o que parece bastante lógico. Ou seja, o desafio é não se empolgar demais e fazer alguma coisa estúpida logo no começo, ao mesmo tempo que tem que acompanhar os líderes e não ficar preso entre os intermediários - já que é importante estar bem posicionado para os estágios que cruzam a Cordilheira dos Andes até o Chile.

A partir do segundo estágio, já se pode dizer que o Dakar começou de verdade, serão duas etapas até Chilecito. No passado essa região já causou diversos problemas aos pilotos, dos mais profissionais aos novatos amadores. Em 2014, as temperaturas nesta parte do rali chegaram acima dos 40 graus, então foi bastante exigente, tanto para os competidores, quanto para as motos. De novo, você não quer chegar até o seu limite, mas também não pode se dar ao luxo de ficar para trás. Há alguns anos, tivemos grandes tempestades, que são acontecimentos que trazem problemas bastante específicos. Quaisquer que sejam as condições, esses dois estágios precisam ser cumpridos com bastante cuidado, para garantir a travessia pelo Chile da melhor forma possível.


Olivier Pain e Alessandro Botturi, representantes da Yamaha

Depois de Chilecito, teremos um longa travessia pelos Andes em direção a Copiapó. É bem provável que esteja bastante frio e temperaturas negativas também não são impossíveis. Nesta fase, vamos alcançar altitudes de 4.800m. E tudo isso será durante o deslocamento, mas logo depois, assim que chegarmos ao outro lado, enfrentaremos a especial. Ainda teremos dois grandes estágios antes do dia de descanso, então é interessante manter no mínimo o impacto da passagem pelos Andes.

Os estágios pelo Deserto do Atacama são sempre o ponto alto do rally. É o momento pelo qual estou ansioso e é um desafio que, pessoalmente falando, eu gosto. É onde corremos em espaços abertos, então uma boa navegação é essencial. Não sou daqueles que seguem o pelotão, então preciso ficar de olho no meu roadbook para ter bons resultados. Geralmente, se ganha ou se perde o rally em estágios assim e para mim essa é a essência do Dakar.

Então na chegada em Iquique, teremos nosso merecido descanso. O que não é tão verdade assim, porque entre as várias entrevistas e coletivas de imprensa sobra pouco tempo para descansar. Ainda assim, talvez dê tempo de arrumar as malas e tirar uma soneca durante a tarde.

2ª Semana


Olivier Pain

Depois do dia de descanso, nos dirigimos para a Bolívia por alguns dias. A menos que os organizadores tenham encontrado uma nova rota para motos, imagino que o trajeto seja semelhante ao do ano passado e relativamente simples. Porém, há alguns elementos que podem trazer problemas.

O primeiro é que será uma etapa maratona, o que significa que não teremos assistência mecânica. É um momento delicado do Dakar. Os competidores estão todos por sua conta, em condições bastante precárias e isso gera um clima diferente. Obviamente, não ter qualquer assistência adiciona uma outra dimensão ao momento: se você não enfrentou problemas durante o dia, então de noite é apenas mudar o filtro de ar e conferir a rota do dia seguinte, mas se você caiu ou teve problemas mecânicos, então só vai poder dormir tarde da noite, depois de improvisar reparos na moto.

O outro desafio é o que o acampamento será a 3500m de altitude e você sente a diferença: falta o ar, não dá para dormir direito e a pressão parece piorar o cansaço do corpo.

Na volta para Iquique, há rumores de uma travessia no maior leito seco do mundo. Acho que é algo como 100km de extensão. Ano passado era para nós atravessarmos, mas aparentemente que não estava seco o bastante, mesmo assim parece que é um dos objetivos dessa edição. Com certeza os organizadores não podem correr o risco de terem todos os pilotos afundando sob a crosta salgada do lago.


No dia seguinte, nos despedimos do Deserto do Atacama, o que sempre pode vir acompanhado de surpresas. Antes de retornar aos Andes, em direção em a Salta, enfrentamos nossa segunda etapa maratona. Com certeza, será um dos dias mais difíceis do rally. A altitude sempre te exaure e para piorar a especial começa a 3600m, o que quer dizer que não haverá muito ar, tanto para os pilotos quanto para as motos. Então, assim que chegarmos a Salta teremos que nos virar novamente sem assistência. Isso significa que teremos que correr preservando a moto e conferindo sempre se os pneus não estão muito desgastados para aguentar o próximo dia. Felizmente, esse ano temos um único reservatório de combustível, o que torna muito mais fácil o serviço de cuidar sozinho da moto.


Depois disso, pelo menos em teoria, deve ser uma corrida simples de retorno a Buenos Aires. Digo em teoria por que nunca se sabe o que está na cabeça dos organizadores, o terreno e o clima que vamos encontrar, além do que a sorte pode nos reservar. Vamos descobrir um pouco mais quando chegarmos em Buenos Aires e os organizadores nos informarem mais detalhes sobre os estágios.

Ainda vou dar uma boa olhada nos perfis dos estágios, mas não vou me envolver muito. É tentador deixar os pensamentos viajarem e deixar passar na sua cabeça todo um filme do 'seu' Dakar, antes mesmo que a corrida comece, mas os anos de experiência me ensinaram que é melhor viver um dia de cada vez e esperar o inesperado. Afinal a única certeza para 2015: o Dakar, como em todo ano, será o maior desafio motorizado do mundo e o melhor jeito de começar o ano!"







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