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Aleksandr Tonkov
Publicado em: 04/07/2013

Invasão russa, o retorno: Aleksandr Tonkov busca o primeiro pódio no Mundial MX2
Redação MotoX.com.br - Fotos: Maurício Arruda


Aleksandr Tonkov

A Rússia, ainda na forma da antiga União Soviética, já foi uma potência no motocross e fez dois campeões mundiais nas décadas de 60 e 70. Victor Arbekov, pilotando uma tcheca CZ, conquistou o título da categoria 250cc em 1965. Na década seguinte o país fez seu maior campeão, Guennady Moisseev conquistou três títulos (74, 77 e 78), também na categoria 250cc. A presença soviética não era tão numerosa - na época o controle do esporte e das equipes era completamente estatal - mas forte o bastante para colocar dois pilotos no topo. Em 1977 Vladimir Kavinov foi o vice de Moisseev.

Reza a lenda que o maior público da história do motocross mundial foi em terras soviéticas. Mais de 200 mil pessoas foram a Leningrado assistir Moisseev, um verdadeiro ídolo do esporte na USRR, conquistar seu terceiro título em 1978. A partir de 1980 a Federação Soviética se desentendeu com a KTM e deixou de importar novas motos. Foi uma fase também onde o regime comunista entrou em sério declínio e o país deixou de formar novos pilotos.

Mais de 30 anos se passaram até a Rússia colocar novamente pilotos na briga pela ponta do Mundial de Motocross. Evgeny Bobryshev foi um dos responsáveis por colocar o país de volta no mapa da modalidade. Esse ano, um jovem piloto da terra da vodka, também tem chamado a atenção: Alexandr Tonkov, personagem desta entrevista. Aqui no Brasil, ele liderou o início da corrida da MX2 no GP deste ano. Na Itália chamou ainda mais atenção por segurar os ataques de Jeffrey Herlings por quase todas as voltas da classificatória. O holandês fez a ultrapassagem na volta final, mas caiu logo em seguida devolvendo a liderança (e a vitória) ao russo. No domingo, Tonkov também impressionou no circuito de Maggiora, liderando boa parte das baterias, mas deixou o pódio escapar por um erro praticamente na chegada (assista ao vídeo).


O russo largando na frente na corrida classificatória do GP Brasil deste ano

Aleksandr, na sequência de um bom ano com a Gariboldi Honda, todos nós esperávamos te ver correndo com os norte-americanos, conforme o planejado para este ano. Mas, você, inesperadamente, apareceu no Qatar no início da temporada. O que aconteceu com a ideia americana e sua pré-temporada?
É complicado. Em primeiro lugar, nós decidimos com meu patrocinador ESTA, ir para os Estados Unidos fazer o Motocross e acertamos tudo, então, nós sabíamos que a temporada não começaria até julho. Eu estava em casa por alguns meses sem fazer nada depois do final do Campeonato Mundial, mas tivemos alguns problemas com a equipe e resolvemos voltar aos GPs – nesse ponto, a opção da Gariboldi já era. As primeiras corridas foram difíceis, pois tive apenas três semanas de treinamento antes do Qatar. Por causa da mudança de plano no último minuto, tive pouco tempo de preparação. Na terceira etapa, em Valkenswaard, na Holanda, eu estava me sentindo bem melhor, mas isso levou algumas corridas para que eu me recuperasse. Então, nos treinos, eu quebrei meu cotovelo caindo sobre a motocicleta de alguém. Com isso, tive mais um mês fora das corridas, o que foi difícil, porque eu ainda estava retornando.


"Tenho 19 anos, e os anos estão passando, preciso que as coisas aconteçam agora"
Você está mais forte este ano, fisicamente, qual é a diferença da última temporada?
Após a lesão, eu estava com tanta raiva, porque estávamos voltando forte até esse ponto. Então eu disse: 'Ok, agora temos que trabalhar muito duro', porque o tempo está passando. Tenho 19 anos, e os anos estão passando, por isso eu estou ciente de que eu realmente preciso que as coisas aconteçam agora.

Me sinto muito melhor este ano do que no ano passado. Talvez esteja mais confiante, especialmente com o conhecimento das pistas, as pessoas, e também pela moto ser boa. Meu irmão está comigo todo o tempo, durante o treinamento, e tenho uma relação muito boa com meu empresário. No ano passado, eu fiquei muito sozinho, mesmo durante os treinos com a moto, para que ninguém pudesse ver meus erros e onde melhorar, mas agora elas me seguem e Bader Manneh é meu empresário, amigo, patrão e, possivelmente, segundo pai!

Deve ser bom ter alguém nativo da Rússia e da família com você. Conte-nos sobre o papel de seu irmão?
Meu irmão costumava correr, e fez o Campeonato Europeu, bem como outros grandes eventos, então, ele pode ajudar com o treinamento e seu conhecimento. Eu pedi para ele parar de correr este ano para me ajudar. Somos uma equipe privada ao lado da equipe J-Tech e é bom tê-lo ao meu lado para ajudar a alcançar os objetivos.

Você pode nos dizer como o negócio com a J-Tech surgiu e como ele funciona?
Quando decidimos ir às corridas, fizemos tudo com a ESTA, que é o meu patrocinador, então, todos sabiam que estávamos no controle do que fazemos. No momento, não temos estrutura para uma equipe, caminhão, ou toldo, e para ir a todas as provas seria muito caro. Nós fizemos um acordo com a J-Tech e eles trazem minhas motos para os eventos, bem como me cedem uma área de trabalho. Realmente, nós apenas alugamos o local, assim como todo o resto somos nós quem controlamos, mas estamos muito gratos pelo que a J-Tech nos permitiu fazer.


 Uma empresa de energia da Rússia patrocina o piloto da categoria MX2

O que é ESTA?
ESTA é uma empresa de energia na Rússia, mas eles têm um braço nos esportes a motor, que também tem uma equipe Ferrari. O chefe é realmente apaixonado por esportes a motor, especialmente corridas de carro e motocross, mas ele realmente quer levar os russos de volta ao topo. Muitos anos atrás, havia um monte de pilotos russos no topo, mas está melhorando novamente agora. Tem eu, Bobby (Evgeny Bobryshev) e Brylyakov (Vsevolod) nas corridas e é bom que possamos obter bons resultados. ESTA está trabalhando para isso, e eles querem o melhor para mim. Eles não só me dão respaldo financeiro, mas também têm um grande envolvimento com o que faço.


"Eu estive apenas três meses nos últimos três anos na Rússia, além de quando eu estava contundido, passo muito tempo longe da minha verdadeira casa"
Onde você mora agora?
Essa é uma boa pergunta! Às vezes, eu moro na Itália, às vezes na Bélgica. Acho que vou me mudar de volta para a Bélgica no verão, como as pistas são secas e é muito quente na Itália agora. Alugamos uma casa na Bélgica e temos um apartamento na Itália. Eu realmente gosto da Bélgica, mas a Itália também é como uma casa, já que eu vivo lá desde 2010. Eu estive apenas três meses nos últimos três anos na Rússia, além de quando eu estava contundido, passo muito tempo longe da minha verdadeira casa. A temporada está começando cada vez mais cedo. Eu volto para casa em outubro, e normalmente preciso estar de volta à Europa em novembro para começar a treinar.

Seus pais vêm para ver você?
Para ser honesto, é muito complicado. Com a necessidade de visto, e o vôo e, assim por diante, é difícil para eles virem. Eu não moro perto de Moscou, na verdade, são 2.000 km de distância, então voar para a Itália é como o vôo para Nova York. Meus pais trabalham, então, eles não visitam as corridas, mas mantemos contato regular.

Você sente falta de casa?
Eu saí de casa quando tinha apenas 11 anos para fazer o campeonato russo, e meu irmão estava comigo, como ele também estava correndo. Foi muito difícil. Eu tive que pensar sobre a comida, como comer, como viver, dormir e, assim por diante. Com certeza, eu sinto falta dos meus pais, mas é muito mais fácil agora, especialmente com a tecnologia para conversar e ver o outro. Às vezes eu só quero ver a minha mãe, e quando eu estou cansado gostaria de um abraço e um pouco da comida de casa, mas tudo bem, a longo prazo.


"Eu saí de casa quando tinha apenas 11 anos para fazer o campeonato russo"

Desde o início da temporada, ouvimos falar de uma série de melhorias na moto para você neste ano. Quão competitiva você acha que sua CRF250R é?
Com certeza é uma moto para estar no pódio. Deixei escorregar por um ponto na França e depois na Itália onde cometi um erro. Com certeza, como o piloto, a motocicleta é muito importante, mas eu realmente gosto da Honda. É o meu segundo ano e fizemos uma série de melhorias para torná-la melhor do que no ano passado. Eu realmente gosto dela, é uma moto confortável e encontramos agora a potência que faltava, por isso, se tudo vem junto, então é definitivamente possível estar na frente. Apesar do que muita gente diz, não há uma diferença tão grande no desempenho comparada com a KTM. Estamos muito perto.


"Eu não acho 'Oh, Herlings é o melhor, então eu não preciso trabalhar para vencê-lo.' Já venci ele no passado nas oitentinhas e tivemos boas brigas naquela época"
Você acha que pode vencer o líder do campeonato Jeffrey Herlings?
Eu acho que é possível. Não vai ser fácil, pois ele está em boa forma, e ele é muito rápido, mas tudo é possível. Não posso dizer se pode acontecer agora, ou amanhã, mas eu não corro para terminar em segundo, e é esse o meu trabalho. Eu não acho 'Oh, Herlings é o melhor, então eu não preciso trabalhar para vencê-lo.'

Já venci ele no passado nas oitentinhas e tivemos boas brigas naquela época. Mas em 2010/2011 eu não tive uma temporada fácil com a equipe, considerando que ele já era um piloto de fábrica. Eu perdi um pouco de confiança e ritmo, por isso, ele cresceu mais rápido, mas acredito que posso vencê-lo. Eu comecei a me sentir confortável agora, e liderei algumas corridas. Minha velocidade é boa, minhas linhas estão boas e fisicamente eu me sinto bem, então trata-se de fazer tudo isso funcionar em conjunto.

Assim, em uma visão geral, o que você pode dizer sobre o ano até agora?
Nós mudamos muito dos problemas do ano passado. Vimos as áreas que estavam fracas, e estou gostando do treinamento. É realmente importante para aproveitá-los, e eu realmente gosto do planejamento. Não é tão difícil, mas não é assim tão fácil, então eu sempre me sinto bem. Antes, no passado, eu não gostava de treinar, ia só porque precisava, mas agora podemos ver pelas melhorias na pilotagem, que vale a pena.

O pódio é o próximo passo. Estou feliz e relaxado, então eu tenho uma boa expectativa. Claro que eu ainda estou aprendendo, e às vezes a minha determinação pode causar alguns problemas, como na Itália, mas também tenho as pessoas certas ao meu redor, com a experiência certa. Bader venceu GPs e conquistou pódios, então, ele me ajuda com as pistas e eu sinto que eu tenho o pacote completo agora para ir mais longe. 


"Claro que eu ainda estou aprendendo, e às vezes a minha determinação pode causar alguns problemas"




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