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O melhor e o pior do GP Brasil de Motocross 2013
Publicado em: 24/05/2013

Etapa brasileira dá show novamente, dentro e fora da pista
Redação MotoX.com.br - Lucídio Arruda - Fotos: Maurício Arruda / Carolina Arruda


Disputa pela vitória na SuperFinal


Assista ao clipe do GP Brasil na MotoX TV
E o Mundial de Motocross visitou mais uma vez o Brasil, foi a quinta prova consecutiva após um hiato de quase dez anos entre 2000 e 2009. Entre as provas da era moderna foi a que mais gostei comparando com as demais etapas recentes de Canelinha (SC - 2009), Campo Grande (MS - 2010), Indaiatuba (SP - 2011) e a própria etapa no Beto Carrero ano passado. Vamos analisar os pontos altos e baixos da edição 2013 do evento.

O Circuito - Em termos de estrutura o circuito no Beto Carrero World é imbatível. Acesso fácil, bom estacionamento, uma quantidade de arquibancadas (inclusive cobertas) como não se vê em nenhum outro GP no mundo.

Sem chuva, o potencial de espetáculo da pista foi plenamente aproveitado e o público acompanhou ótimas disputas. A parte plana da pista, onde ficam concentradas as arquibancadas, é muito legal, mas a parte de cima, mais natural, também é muito interessante e, de certa forma, fica afastada do público. Seria interessante bolar uma maneira de permitir aos fãs mais hardcore poderem circular por lá também.


Circuito do Beto Carrero World - IC Fotos / Vipcomm

Outro grande diferencial no Beto Carrero é a pista de apoio ao circuito, praticamente asfaltada. Facilita demais o trabalho dos fotógrafos, cinegrafistas, equipes médicas e de apoio. Nota 10!

A contar contra, uma certa escassez de banheiros no sábado. No domingo, a área próxima à sala de imprensa recebeu banheiros extras, mas não sei como estava a situação para o grande público.


Demarcação de pista - a horrível cerquinha verde de plástico foi substituida por estacas de madeira pintadas de branco. Embora as estacas causem uma certa preocupação com a segurança, visualmente ficou muito melhor. O risco dos pilotos terem suas provas prejudicadas com a cerca enroscada nas motos também acabou.


A ausência da cerquinha plástica facilita fotos como essa



Jeffrey Herlings não tem adversários na MX2

Jeffrey Herlings - O jovem holandês está numa categoria própria dentro da classe MX2. Esse ano seus principais problemas estão relacionados com as largadas, quase nunca acerta uma... Mas no decorrer da corrida sua velocidade superior faz a diferença, e que diferença!

La dentro da pista não se deixava de notar que ele aproveitava cada centímetro de solo possível para tracionar sua KTM oficial. A diferença nas costelas era gritante. Outro fato que chamou a atenção é que não tinha linha ruim no circuito para ele enquanto buscava a recuperação. Mesmo com os adversários ocupando o melhor traçado, Herlings sempre tinha uma boa alternativa para tentar a ultrapassagem, isso praticamente em todo o trajeto.


A grande questão sobre Herlings é até quando ele vai continuar na MX2? O piloto não parece muito interessado em mudar-se para os Estados Unidos, e na atual categoria não tem nenhum adversário à altura. Com o limite de 23 anos na MX2 pode continuar na categoria até 2016, acumulando títulos, mas sem muito combustível (e motivação) para evoluir. Apesar de já treinar com uma moto 450cc, poderia passar tranquilamente para a MX1 com a já testada e comprovada 350cc da marca laranja sem precisar mudar muito seu estilo de pilotagem. O problema é a KTM querer, já que está numa situação confortável com os dois melhores pilotos nas duas principais categorias.

 

Antonio Cairoli - Ano passado, tanto Cairoli, como Herlings, ficaram devendo uma apresentação a altura de todo o seu talento ao público brasileiro. Na lama de 2012 os dois campeões tiveram aqui no Brasil resultados entre os mais fracos de suas respectivas temporadas. Mas em 2013 ambos fizeram apresentações brilhantes.


Largada da MX1 - Quem precisa de 450cc?

Na bateria da MX1, Cairoli largou na frente e provou sua velocidade administrando a vantagem sobre os adversários. Não é comum ver Cairoli vencendo com distâncias absurdas sobre os adversários como Herlings faz na MX2. O fato é que o italiano é adepto da filosofia de Juan Manuel Fangio que fazia o possível para "vencer correndo o mais lentamente possível". O importante é garantir os pontos do campeonato.


Na bateria da SuperFinal, ele mostrou que sabe usar a estratégia. Depois de recuperar-se de uma escorregada fenomenal após a largada (aos 1min58seg do vídeo) cozinhou Kevin Strijbos até a poucos minutos do tempo regulamentar. Guardou as energias - e nisso a 350cc ajuda muito contra as 450cc dos adversários - para atacar no final. Quando partiu para cima, não deu chances para o belga revidar.

Falta de pilotos - A YouthStream vem continuamente sendo criticada pelo pouco número de inscritos em seus GPs... Inscrições caras, falta de premiação e aumento generalizado dos custos para acompanhar o campeonato são alguns problemas apontados. O fato é que o formato da SuperFinal foi criado para as provas fora da Europa, mas mesmo no velho continente o número de participantes está caindo vertiginosamente. Na Europa o número de inscritos na classe principal não chega a 30 pilotos. Na Holanda, celeiro de bons pilotos, foram apenas 28 inscritos. No GP de Trentino (Itália), foram apenas 30. Em Portugal, 27. Na segunda bateria largaram somente 20 pilotos!

Quem estava no Beto Carrero sentiu na pele a diferença no espetáculo entre uma largada com vinte e poucas motos contra um gate lotado com 40 na SuperFinal. Não seria muito mais legal quatro baterias com gate cheio? É preciso fazer algo para despertar novamente o interesse dos bons pilotos locais participarem do Mundial. A crise na Europa é apenas uma parte da explicação, a política da organização tem grande peso nisso.


Diferença de equipamento - O Mundial sempre foi marcado pelo topo da tecnologia no esporte. Neste campeonato não há regras que limitem a utilização de completos protótipos de fábrica (como nos Estados Unidos) com especificações de motor, quadro, suspensões e a cada vez mais presente eletrônica, únicas, inacessíveis ao comuns mortais por mais gorda que seja sua conta bancária.


David Philippaerts

Essa diferença de equipamento sempre existiu, mas dias de possíveis vitórias de pilotos privados - como Rodney Smith no GP da Argentina em 1986 - são lembranças do passado. Dentro do Mundial já existem dois níveis de equipamento. As equipes oficiais que têm uma ampla liberdade para desenvolverem seus equipamentos com a ajuda de engenheiros da fábrica e de suspensões. Depois os times satélites cuja maioria tem algum apoio da fábrica, que fornecem motos e peças de reposição, talvez um ou outro equipamento especial, mas que acabam por desenvolver seus equipamentos baseados nas motos de produção e com bem menos liberdade e recursos que os times oficiais. Depois temos ainda os pilotos locais, cujo o equipamento é bom para os campeonatos de seus países, mas não chegam perto do que se encontra nos times satélites, o que dizer das equipes oficiais?

Essa disparidade fcou evidente, por exemplo, nos resultados de David Philippaerts. Campeão Mundial em 2008 e piloto oficial Yamaha até o ano passado, que este ano corre pela equipe satélite Gariboldi Honda. Phillipaerts costuma andar bem no Brasil, venceu o GP de 2011 em Indaiatuba e foi 2º no Beto Carrero ano passado.

 

Esse ano até que foi bem com a segunda colocação na classificatória, mas na bateria para valer da MX1, quem prestou atenção notou que o italiano (que largou em segundo) tirava leite de pedra para segurar a quarta posição dos ataques de Gautier Paulin. Acabou errando no final e perdeu posição não só para Paulin, mas também para Jeremy van Horebeek e Kevin Strijbos, todos de equipes oficiais.


Falta de regras - As regras são feitas para serem quebradas, não é mesmo? Esse deve ser o pensamento de Giuseppe Luongo e da direção de Motocross da FIM. O problema são os próprios dirigentes não seguirem as regras que eles mesmos criaram. Aqui no Brasil primeiro eliminaram a regra dos 108% do tempo nos treinos para garantir um número mínimo de pilotos alinhando nas corridas. A mudança permitiu, por exemplo, que o chileno Felipe Danke participasse da corrida, mesmo virando 23 segundos mais lento que Jeffrey Herlings e quase 10 segundos mais lento que qualquer outro na pista.


Outra mudança questionável foi a ordem de alinhamento para a SuperFinal. De acordo com as regras as 20 motos 250cc alinhariam antes das 450cc, garantindo os melhores lugares no gate, como foi no Qatar e na Tailândia. No Brasil mudaram o alinhamento na última hora entrando alternadamente uma moto MX2 e uma MX1, eliminando qualquer vantagem dos pilotos equipados com menor cilindrada.


Com a mudança na ordem de entrada da SuperFinal as MX2 não tiveram chance na largada

O formato recebeu críticas de muitos pilotos, entre eles Jeffrey Herlings, 'puto da vida' por ter perdido a chance de temporada perfeita após ter que ultrapassar inúmeros adversários na pista que não são seus concorrentes na categoria. O espanhol Jose Butron também reconheceu que só venceu sua primeira bateria no Mundial graças a mistureba gerada na pista.


Pódio - Achei um pouco esquisito esse pódio em dois níveis com a turma da MX2 rebaixada como se fossem atletas de segundo nível. Talvez seja uma atitude pensada em economizar tempo para a TV, mas ficou estranho. Outro ponto foi que o público (e não foi pouca gente) ficou espremido na tela do lado de fora tentando ver alguma coisa da premiação. Ali poderiam abrir uma área para os fãs aplaudirem seus heróis mais de perto, ou pelo menos montar o pódio virado para a galera.


 O público animado faz parte do espetáculo

Público - Os pilotos foram unânimes em afirmar que adoraram a presença do público no Brasil. Herlings disse que foi como se estivesse correndo em casa, ouvindo o grito dos torcedores por onde passava na pista. O carismático Cairoli também afirmou o mesmo. O fato é que um público animado abrilhanta, e muito, o espetáculo. Os pilotos retribuiram com o melhor de sua pilotagem na pista.


Corrida dos campeões


O locutor Zezito foi o homenageado surpresa. Um dos primeiros profissionais especializados no esporte, narrou o Enduro da Independência quando Dom Pedro fez o percurso.
Corrida dos campeões - Foi uma bela e merecida homenagem a grandes nomes que fizeram a história de nosso esporte. Uma excelente idéia da Romagnolli que se tornou um dos pontos altos do evento com muita emoção (e lágrimas!) dentro e fora da pista.
 
Nuno Narezzi, Rafael Ramos, Jorge Negretti, Eduardo Saçaki, Elton Becker e seu irmão Milton “Chumbinho” Becker, Cristiano Lopes, Wellington Valadares, Álvaro Candido Filho “Paraguaio”, Roberto Boettcher, Cássio Garcia e Roque Colman receberam o troféu comemorativo.

Muita gente pensou, inclusive os homenageados, imaginou que seria uma corrida mesmo, para valer. Alguns chegaram a tirar a ferrugem do corpo e das motos e voltaram a treinar para fazer bonito no Beto Carrero. Pedro Bernardo Raimundo, o Moronguinho, treinou tão sério que acabou se machucando e ficou fora do evento. Uma pena, mas tenho certeza que não faltarão oportunidades para homenagear o piloto que é um dos que mais acumulou títulos brasileiros.

Foi legal também ver o locutor José Avelino, o popular Zezito, ser homenageado. Ele que até hoje narra corridas e apelidou grande parte destes ídolos. Quem não se lembra, por exemplo, do Japonês Voador (Saçaki), do Loirinho Maravilha (Negretti) ou da Fúria Catarinense (Elton Becker)? São apenas algumas das criações da longa carreira deste profissional que acompanha o esporte há tantos anos.


Confira mais fotos da homenagem em nossa galeria especial da Corrida dos Campeões.


Felipe Zanol

Felipe Zanol - Depois do enorme susto sofrido nos treinos para o Rally Dakar, foi uma grande felicidade  reencontrar Felipe Zanol. O piloto de enduro e rali é uma das figuras mais queridas do esporte e isso ficou claro nos boxes do GP. O mineiro distribuiu sorrisos e mostrou a simpatia de sempre atendendo aos amigos e fãs.

Zanol ainda tem pela frente um longo caminho até a plena recuperação, mas temos certeza que chegará lá. Como todo grande campeão, enxerga nos obstáculos as oportunidades e não as dificuldades.

Motocross das Nações - A grande notícia do final de semana foi o anúncio do retorno do Motocross das Nações ao Brasil em 2017. Faltam ainda quatro anos, mas é uma notícia que começa a empolgar desde já. O Mundial de Motocross é muito legal, mas o Nações é o ápice do nosso esporte, nada se compara ao drama e emoção da disputa em equipes.


O anúncio do Motocross das Nações com Lincoln Duarte, Carlinhos Romagnolli, Giuseppe Luongo e Wolfgang Srl

Como território neutro, o 'Brazil' será a sede ideal para norte-americanos e europeus medirem forças sem bairrismos, desculpas ou insinuações que a pista favoreceu este ou aquele estilo de pilotagem. O potencial de retorno turístico do evento também é enorme e o litoral catarinense tem todas as condições de receber bem os fãs estrangeiros e, claro, lucrar com isso.

É hora de pensar também no desenvolvimento de nossos pilotos e que o Brasil possa formar a melhor equipe possível para evento. São quatro anos para se preparar e a prova vai ser aqui em nosso quintal. Então por favor, dirigentes, pilotos, equipes e fabricantes, vamos trabalhar para preparar e selecionar a melhor equipe possível. Já fazemos bonito na estrutura e organização do evento, que ano passado recebeu o prêmio de melhor GP da temporada. É hora de fazermos bonito dentro da pista também.

 

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