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Stefan Everts
Publicado em: 19/10/2012

Maior nome do Mundial de Motocross veio ao Brasil para uma série de cursos de pilotagem
Redação MotoX.com.br - Texto: Lucídio Arruda - Entrevista e fotos: Maurício Arruda


Stefan Everts

A primeira vez que conversei pessoalmente com Stefan Everts foi há pouco mais de dois anos, no GP Brasil em Campo Grande, MS, quando Cairoli garantiu seu primeiro título com a KTM em 2010. Apesar de ter dominado o esporte em sua era e marcado recordes absolutos como 10 títulos mundiais e 101 GPs vencidos ele é um cara bastante humilde, pés no chão, sem uma gota de estrelismo.

Mais que isso, Everts é bastante franco em suas respostas, direto, sem meias palavras, sem hesitações. Fala realmente o que pensa. Prestes a completar 40 anos, no próximo dia 25 de novembro, veio ao Brasil para ministrar uma série de cursos de pilotagem.

Filho do tetracampeão mundial Harry Everts, Stefan entrou no esporte pela porta da frente e soube aproveitar a oportunidade como poucos fariam. Depois de encerrar a carreira como piloto, continuou envolvido com sua paixão e ajudou a equipe KTM a se transformar na potência que é hoje.

Conversamos com Stefan no ASW Off-Road Park onde ele ministrou o primeiro curso nos dias 17 e 18 de outubro. As próximas turmas acontecem em Santa Luzia, MG, dias 20 e 21, e em Caxias do Sul, RS, dias 23 e 24. Para mais informações: www.evertsnobrasil.com.



MotoX: Em 1991 você venceu uma etapa do Mundial de Motocross 125 aqui no Brasil em Campos do Jordão (SP). Você se lembra disso? Quais suas recordações do evento?

Everts: Você estava lá?


A moto número 3 levou Everts ao primeiro título mundial em 1991

Estava, tenho até uma foto da sua moto.

Sério? Essa moto está lá em casa (ndr: Everts tem todas as motos dos títulos mundiais na garagem). Foi uma corrida muito especial. Viemos para a América do Sul e tivemos uma prova na Guatemala, não lembro se foi uma semana antes ou depois... Mas antes passei por momentos difíceis na Inglaterra e Irlanda, após corridas ruins meu pai foi muito duro comigo. Disse que iriamos treinar o que fosse preciso para vir à América Latina e vencer tudo. E fomos para Lommel e fiz muitas baterias de 45 minutos. Fazia muito calor na época e corria uma bateria e depois outra e depois outra...

Venci as duas baterias no Brasil, venci as duas na Guatemala. Foi quando me afirmei no campeonato. No Brasil eu lembro que foi incrível, a largada numa longa reta em subida, uma grande curva, grandes saltos, muitos espectadores. Foi mesmo uma boa viagem que fizemos, todo o grupo (de pilotos e equipes) vinha junto, ficamos no mesmo hotel, nos divertimos juntos. Foi uma época muito boa... já faz um bom tempo.


O GP Brasil 125cc de 1991 em Campos do Jordão

Foi seu primeiro título mundial. Você já tinha se profissionalizado completamente?

Sim, eu acertei minha carreira muito rápido pois meu pai me indicou a um time muito profissional. Era uma nova equipe Suzuki, comecei em 1989 até 1991, três anos de contrato para desenvolverem pilotos jovens, que ficassem rápidos e, claro, que um dia se tornassem vencedores.

Quem também tornou tudo muito profissional foi meu treinador, que inclusive era ex-treinador do meu pai. Desde muito jovem, aos 15 anos, entrei nesse programa trabalhando diariamente minha condição física, com massagem para recuperar o corpo, me alimentando bem, treinando duro com meu pai para me tornar mais rápido. Então passei rápido a um nível muito profissional.


Everts se tornou conhecido por passar mais tempo em pé do que todos seus adversários

Seu pai também foi campeão mundial. Queria que você comparasse o estilo de pilotagem dos dois e me falasse das diferenças.

Completamente diferente. Meu pai era mais do tipo esforçado, não era muito talentoso. Eu já tinha mais "feeling" e deixava o trabalho duro para a moto. Ele trabalhava muito mais, então fisicamente era muito mais intenso.

Claro que a geração dele era completamente diferente. Minha geração cresceu com o supercross, aprendemos muitas técnicas que antes não existiam. Ele não pôde me ensinar nada de supercross, me ensinou como ser um campeão, um grande campeão. Muitas técnicas de pilotagem ele não pôde me passar. Eramos dois pilotos completamente diferentes nas motos, mas ele me ensinou como trabalhar duro para chegar aos meus objetivos. Então nessa parte somos bem parecidos.


Quem é rei nunca perde a majestade

Você sempre se destacou no motocross, mas não correu muito no supercross. Por quê?

Eu me sentia muito bem no Supercross, entre os 16 e 18 anos nós tinhamos muitas provas na Europa como Geneva, Gênova, Barcelona, Maastricht. Tinhamos muitas provas no inverno e aquilo foi bom para meu desenvolvimento.

Planejava me mudar para os Estados Unidos em algum ponto da minha carreira. Depois que ganhei o Mundial 125cc, fiz cinco provas de supercross nos EUA. Meu plano era defender o título na Europa em 92 e ir para os Estados Unidos definitivamente, mas lesionei o baço. Em 92 fui segundo, em 94 fui segundo...

E depois disso você não teve vontade de ir?

Não porque depois de 1992 o supercross começou a cair na Europa e me machuquei. Tive uma série de contusões entre 92 e 94, depois disso decidi não fazer mais nenhum supercross no inverno e focar exclusivamente nos GPs. Em 95 optei por não deixar mais a Europa e lutar pelos campeonatos mundiais.

Como é seu trabalho com os pilotos da KTM em relação aos treinamentos, como você acompanha a pré-temporada?

Nossas motos são preparadas na fábrica na Áustria. Temos outra base na Bélgica com uma oficina só com as motos de treino e para algumas provas internacionais. Então temos mecânicos em tempo integral que acompanham nossos pilotos em sessões de treinos na Bélgica. Eu trabalho em alguns desses treinos. De qualquer forma eu vou em todos os GPs, falo com os pilotos diariamente sobre como vão os treinos, a organização com as motos de treino, planejamento das viagens... faço tudo do meu escritório na Bélgica.


Você trabalha a técnica dos pilotos, trabalha o estilo de cada um?

A gente trabalha tudo, até mesmo a educação. Basicamente com os pilotos mais novos é mais importante trabalhar esse lado do que ensinar a ser rápido. Veja bem, um cara como Jeffrey Herlings eu não tenho como tornar ainda mais rápido, mas posso orientar em muitas outras coisas além de ser rápido na pista.

Tem caras como Jeremy van Horebeek que nós temos que levar para treinar, levar para areia. Ele fala eu não gosto disso, eu não gosto daquilo. Aprendeu a gostar de coisas diferentes para, finalmente, por em prática.

Jordi Trixier passa tempo na França, tempo na Bélgica. Trabalho o psicológico, programo as sessões e o treinamento para a semana, até mesmo com o Horebeek, passo o programa de treinos: hoje três baterias de 25 minutos, etc.

Cada piloto é diferente. Tento não impor uma maneira de trabalho, prefiro que venham até mim e falem: preciso disso ou daquilo, porque senão não funciona. Já com o Herlings as vezes é o contrário. Falo "hoje você não pega a moto", senão ele treina 7 dias por semana.


Roczen, Herlings, Cairoli, com cada um o trabalho é (ou foi) bem diferente, então?

Completamente. O Roczen é muito ligado à família, ele trabalha bem próximo do pai, então não ouve muito as pessoas de fora. O Tony é um cara muito fácil, não precisamos falar nada com ele, já sabe das coisas, já provou que é um campeão. Com Tony eu trabalho mais aos finais de semana, falamos sobre algum traçado na pista. As vezes uma ou duas coisas durante o final de semana, algumas vezes não precisamos falar nada.

Esses pilotos dominaram o Motocross das Nações na Bélgica. Dá para dizer que o sucesso deles em Lommel está ligado ao fato deles terem passado pelas suas mãos?

Não muito. O talento de Jeffrey vem de pequeno. É um holandês que cresceu na areia, tem muita experiência com o terreno. Tony veio viver na Bélgica muitos anos antes de entrar na KTM, esteve em Lommel antes e passou a entender a areia. Roczen também estava lá antes da KTM. Passou um inverno inteiro andando todo final de semana, no frio, na chuva, na lama.

Rodando, rodando, rodando lá você acaba encontrando a técnica certa para a areia, passa a entender os "bumps". Aprende a técnica de saber quais "bumps" pode usar, confiança, força, uma combinação de vários fatores. Leva tempo.


Em sua carreira você sempre teve um treinador?

Foi Willy Linden, ele é um policial, mas apaixonado por exercícios. Incrível! Ele vive e respira isso. Esteve comigo praticamente desde o primeiro dia. Ele me ensinou a disciplina. "Amanhã às 4 da manhã vou bater na sua porta, e você tem que estar pronto."  Ou 8h00 ou 9h00...

Você acha que a disciplina é o aspecto mais importante na carreira do piloto?

É um deles.

Seu treinador andava de moto também?


"O segredo do negócio é fechar os olhos e torcer o cabo"
Não, era apenas um policial. Ele me ensinou a cuidar do físico. Corriamos muitos quilômetros juntos e ele falava sobre muitas coisas, não apenas sobre o psicológico. Todo ano tentávamos aprimorar nosso programa. Criávamos novos passos para chegar ao topo.

Cada piloto é diferente, nem sempre o que funciona para mim, funciona para o outro, mas há certos aspectos básicos que servem para todos e um deles é a disciplina.

Com que frequência você anda de moto atualmente? Hoje é um hobby ou só trabalho?

Sempre foi um hobby (risos). Tento andar de moto duas vezes por semana, mas nem sempre é possível.

Ás vezes perco algumas semanas. Mas pelo menos uma vez por semana, eu tento. No inverno, quando o clima está ruim faço trilhas ou enduro. Pego algum dos meus pilotos, como Jeffrey, andamos na lama, colinas, coisas assim.

E hoje em dia você consegue andar no ritmo dos atuais campeões como o Cairoli ou o Herlings?

Hã... não é mais possível. A velocidade do Herlings ou do Cairoli é impossível acompanhar. Fico assombrado com o que eles fazem. E não tenho mais o preparo de antes, essa é a grande diferença. Quando a pista é fácil, sim, a diferença é pequena, mas quando as coisas complicam, se tornam mais exigentes... eu volto para casa muito desapontado. Há cinco anos eu ainda podia fazer isso. Fico muito frustrado com essas coisas (risos).

Para finalizar, eu queria saber se teremos um novo piloto da família Everts nas pistas em breve?

É possível que meu filho siga a carreira, mas ainda é cedo para falar. Preciso ver se ele será mesmo apaixonado por isso. Ele tem talento (já anda na categoria 65cc), tem uma boa percepção da moto. No BMX é bem ambicioso, já sabe que é um vencedor, mas vamos ver o que ele vai produzir, o quão disciplinado será.


Pérsio e Paulo Mattos, Tiago Edagi (ASW), Everts, Sebastião Lago (Quanta Sports) e Fernando Silvestre (ASW)

 Agradecimento especial a Pérsio Mattos que colaborou na entrevista.









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