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O melhor e o pior do Honda GP Brasil de Motocross 2012
Publicado em: 29/05/2012

Evento brasileiro supera expectativas e coloca país definitivamente no cenário internacional
Redação MotoX.com.br - Lucídio Arruda - Fotos: Lucídio Arruda / Carolina Arruda / Divulgação


Estrutura do circuito surpreendeu os estrangeiros 


Assista ao vídeo inédito e exclusivo do MotoX com os melhores momentos das corridas
Foi a quarta edição consecutiva do Mundial de Motocross em sua era moderna no Brasil. É o sexto GP Nacional que o MotoX esteve presente desde seu nascimento. Nosso primeiro Mundial foi em 2000 no GP Brasil de 125cc, em Indaiatuba (SP). No mesmo ano, passamos por Belo Horizonte (MG) no saudoso circuito do Jockey Clube, que recebeu a categoria 250cc.

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Depois disso, passamos longos nove anos sem que o campeonato voltasse a gastar seus pneus por aqui. Os eventos, antes separados por categorias, foram unificados e as estruturas e, principalmente, exigências para trazer o campeonato de volta ao país cresceram muito, ainda mais em termos de custos e taxas aos detentores dos direitos, a YouthStream.

Finalmente, em 2009, o Mundial de Motocross voltou ao Brasil. Diga-se, resultado do trabalho de alguns anos da Federação Catarinense de Motociclismo, liderada por Kiko Cidade. Naquele evento, o grupo Lance esteve envolvido na organização como representante da Youthstream. Sem tradição no motociclismo, a empresa deixou o esporte da mesma maneira que entrou: muito rápido.

Mas os gringos gostaram do que viram por aqui, da estrutura local e do potencial do público e desde então o Brasil tornou-se parada obrigatória. O campeonato passou por Campo Grande, MS, em 2010, Indaiatuba, SP, em 2011 até desembarcar no Beto Carrero World, Penha, SC, agora em 2012.

Agradando aos estrangeiros


Depois do não tão memorável GP do México os participantes do Mundial foram surpreendidos no Brasil. Não só com as belezas do litoral catarinense - que já conheciam de 2009 - mas principalmente com a estrutura do circuito montada pela Romagnolli Eventos.

Para os times do Mundial é doloroso sair da Europa. Deixam para trás suas excelentes estruturas, caminhões-oficinas, motor-homes e a proximidade de casa para viajar com material reduzido e motos acondicionadas em pequenas caixas. Mas o campeonato é Mundial e a YouthStream tem, há anos, se esforçado para visitar o maior número de continentes, como tem de ser.

O desafio logístico é enorme, principalmente quando se tem que cobrir a distâncias como do México ao Brasil em menos de uma semana. Mal terminado o GP as motos tem de estar limpas e nas caixas prontas para o embarque.


Uma ideia do que as equipes deixam para trás quando saem da Europa

Um exemplo das dificuldades foi o roteiro do chefe de equipe Rockstar Suzuki MX2, Thomas Ramsbacher, que teve dois de seus motores quebrados no México. Depois do excesso de poeira no sábado, a lama acumulada nos radiadores pela irrigação absurda no domingo causou superaquecimento na primeira bateria. A equipe trocou os motores e conseguiu participar da segunda corrida, mas não poderia arriscar vir ao Brasil com apenas um motor para cada moto. Ramsbacher então embarcou emergencialmente de volta para a sede na Holanda, pegou as peças nescessárias, cruzou o atlântico de novo e chegou ao circuito somente na sexta-feira à noite.

Ser bem recebido e com uma estrutura decente faz a diferença nessas viagens extra-continentais. David Philippaerts comentou: "Gosto de vir ao Brasil! É difícil sair da Europa por um período longo, mas esse é um campeonato mundial e é ótimo vir a lugares como este."

Neste ponto a equipe Honda de Rui Gonçalves e Evgeny Bobrishev foi privilegiada pois contou com a boa estrutura de apoio montada pela subsidiária brasileira. Por que as outras fábricas não fizeram o mesmo, eu não sei. É a oportunidade de mostrar apreço pelos caras que defendem suas marcas ao redor do Mundo e também uma ótima chance institucional, quem é que não quer aparecer ao lado dos melhores?


Beto Carrero World

- - Ciao, il mio nome è Antonio Cairoli


Esse é sem dúvida o circuito com a decoração mais original da temporada
Há alguns anos os administradores do parque temático decidiram diversificar as atividades incluindo os esportes motorizados no cenário. O kartódromo que recebe as 500 Milhas e o motocross, que já teve a Superliga e agora o Mundial.

Mais que simples atrações extras, os eventos esportivos levam o nome do parque ao redor do Mundo funcionando como excelente ferramenta de marketing. O Mundial de motocross é transmitido para mais de 50 países pela televisão, sem contar os jornais, revistas e a cada vez mais onipresente internet.

A parte plana do circuito foi construída sobre um pântano aterrado. Como antigo amante do motocross não é o ideal do ponto de vista "histórico", que sempre privilegiou os circuitos naturais, mas este é o caminho sem volta que o campeonato tem seguido. Por outro lado, temos ainda a parte de cima do circuito que segue a tradição.


Paralelo ao circuito foi feita uma pista por onde circulam as equipes de apoio e médicas praticamente asfaltada. Foi uma mão na roda para os fotógrafos e cinegrafistas. Claro que não escapamos totalmente da lama (meu tênis ficou por lá...), mas em qualquer outra pista no mundo teríamos atolado até o joelho em condições climáticas semelhantes.

A região também é bem servida por uma grande rede hoteleira com muitas opções num raio de 40 quilômetros do parque.

Estrutura e organização



Este é o promotor do GP Tailandês, que entra no calendário em 2013, fotografando todos os detalhes. Não poderia vir a um evento melhor para nortear seu trabalho.
Arquibancadas como aquelas por volta de toda a pista são coisas que os estrangeiros não estão acostumados a ver. Na verdade acho que nunca viram. Box asfaltados, um acesso fácil ao lado da rodovia, bom estacionamento... O GP brasileiro marca um novo padrão em estrutura e organização a nível mundial.

Em nossa perspectiva de imprensa as coisas evoluiram do fundo do poço em 2009 para o alto da montanha em 2012. Em Canelinha (SC) foi uma dificuldade para ter acesso às credenciais, os carros tiveram que ficar do lado de fora no barro. No domingo, mesmo já credenciado e chegando às 6h e pouco da manhã, policiais completamente despreparados impediam o acesso ao circuito. Meu irmão Maurício que chegou mais tarde, teve de andar quase 2km carregando o equipamento até chegar na sala de imprensa.

Em Campo Grande (MS), as dificuldades com os "porteiros" foram similares, chegando ao cúmulo de campeões mundiais como Philippaerts e Cairoli não conseguirem adentrar aos boxes com seus carros e serem obrigados a caminhar com os equipamentos nas costas para não perder os primeiros treinos. Em Indaiatuba (SP), o acesso dos profissionais já foi melhor organizado, mas tivemos a famosa invasão de pista por parte do público dificultando muito o trabalho nas baterias finais.

No Beto Carrero foi uma experiência de primeiro mundo. O "Welcome Center" antes da entrada já entregava as credenciais, pessoal de apoio (bem) treinado organizando as entradas, estacionamento, etc. A sala de imprensa muito bem localizada ao lado da chegada e de um acesso à pista. Sem contar a pista de apoio que já comentei acima.


O caminhão pipa, que não precisou molhar a pista no domingo, socorreu os mecânicos na área de lavagem... opa, lavação em Santa Catarina

Para não dizer que foi tudo perfeito... o sinal de internet wireless 'pipocou' diversas vezes durante o final de semana provocando disputa pelos insuficientes cabos de rede em alguns momentos. No sábado, algumas equipes reclamaram também do fornecimento tímido de água nos lava-motos e alguns box na tenda dos estrangeiros alagaram depois da chuva de domingo.

Não sei se tudo rolou às mil maravilhas para o público, mas acredito que foi tudo bem. Quando as coisas saem errado pingam e-mails de críticas em nossa caixa postal. A lama, claro, foi o ponto baixo. Tirou um pouco do brilho das corridas, que seriam muito mais animadas e bonitas com o tempo bom.


O atraso da visitação aos boxes para o final do dia também foi desanimador para quem queria tirar uma foto ou trocar uma ideia com seu piloto preferido, mas foi uma decisão acertada da organização. Mesmo porque, naquelas condições, as equipes correram contra o tempo para reconstruir as motos e os pilotos estavam se recuperando de uma prova extremamente desgastante. De qualquer forma, o tradicional "feirão" de fim de Mundial aconteceu do mesmo jeito.


Brasileiros


Esse cara aí foi o Super Man na lama
Desta vez foi difícil torcer por nossos pilotos. Normalmente nossos melhores disputam, ou ao menos incomodam os pilotos regulares do pelotão de trás do Mundial. Desta vez foi como se fossem duas corridas separadas. Os gringos lá e os brasileiros (e demais sul-americanos) cá.

Nas primeiras baterias, onde a lama estava pior e, por isso mesmo, praticamente anulava as diferenças de equipamento, Marçal Muller, melhor na MX2 e Wellington Garcia, melhor na MX1, tomaram, respectivamente, quatro e cinco voltas dos líderes. Está certo que às vezes apenas um tombo, e foram muitos - não houve piloto que escapou de pelo menos uma queda no domingo - já fazia perder uma volta, mas os resultados mostraram que nossos pilotos ainda têm alguns degraus a escalar antes de alcançar destaque internacional.

Entendo também os que optaram por não largar. Uma corrida nestas condições exige uma reconstrução quase completa da motocicleta. Relação secundária, pastilhas e discos de freio, embreagem, retentores de supensão e plásticos (só para citar alguns ítens) vão para o beleléu. Isso se o motor não abrir o bico também. Muitos tomaram a decisão de preservar o equipamento para as competições nacionais. Mas dá uma dó desperdiçar a chance de participar de um evento internacional e aprender na prática com os melhores.

Perspectiva


 Veja também a galeria de bastidores do evento

Como foi anunciado durante o GP, o Brasil entra definitivamente no calendário mundial. Ano que vem além da MX1 e MX2, a MX3 deve desembarcar por aqui, provavelmente em Recife (PE). Há a possibilidade também da categoria feminina vir junto.

A atual crise na Europa faz a organização da competição procurar os chamados mercados emergentes. Prova disso foi o recente GP do México, realizado pela primeira vez, e o anúncio do GP da Tailândia em 2013. As chances do Mundial de Motocross voltar aos Estados Unidos são remotas. O país tem seu próprio campeonato muito forte e gera pouco interesse do público e pilotos locais. As últimas etapas do circuito por lá deixaram um saldo financeiro negativo aos organizadores dessa maneira a expansão deve seguir por caminhos alternativos. A exceção é o Motocross das Nações que agrada aos "yanques" pela disputa USA versus o Mundo e tem retornos frequentes programados à terra do Tio Sam. O Nações está em negociação para retornar ao Brasil em 2015. Essa será, definitivamente, obrigatória para todo o fã do esporte em nosso país, caso torne-se realidade.











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