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Final do EUA e Nações
Publicado em: 08/10/2007
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Final do EUA e Nações
Por Antônio Jorge Balbi Jr. - Fotos: Idário Araújo/Vipcomm e Maurício Arruda



Jorge Balbi competiu pela primeira vez em toda temporada do AMA Motocross
O final do ano pra mim nos EUA foi completamente antagônico: passei por uma das maiores decepções da minha carreira, mas ela foi seguida por uma das maiores alegrias da minha carreira. Fiquei bem chateado com as minhas últimas corridas no AMA. Estava muito bem, muito confiante, mas uma série de fatores externos fez com que eu não conseguisse andar bem nas últimas provas.

Tudo começou com uma torção no tornozelo esquerdo na semana que antecedia a nona etapa. Os médicos inclusive disseram que eu não deveria competir, mas desobedeci as ordens deles e fui pra prova. Antes da viagem pra Milville aconteceu algo inédito: meu vôo foi cancelado duas vezes. Lembrei até dos aeroportos do Brasil (rsrs). Deveria ter chegado na sexta às quatro da tarde, mas só cheguei 20 horas depois. Cheguei atrasado para o treino, com uma noite de sono a menos e quase nem consigo classificar para a final. Isso me desestruturou totalmente. No domingo, não consegui largar bem, mesmo assim acelerei forte e terminei a primeira bateria em 12º lugar, um resultado satisfatório.

Na segunda bateria a sorte não virou. Larguei muito bem na primeira largada, mas um acidente grave com alguns pilotos cancelou o início da prova. No novo procedimento, não tive muita sorte e, logo na primeira volta, me envolvi em um acidente e minha moto ficou seriamente danificada. Fim de prova.


Brasileiro encerrou Campeonato Americano na 19ª posição
Cheguei em Steel City animado, pois meu tornozelo não estava mais doendo e choveu muito. Como todos sabem, adoro correr na lama e foi em uma prova assim que consegui meu primeiro bom resultado no exterior, em Glen Helen. Na prova, porém, a pista já estava bem mais seca. Larguei bem na primeira bateria, mas tive que abandonar por causa de um furo no pneu. Fiquei muito frustrado, mas fui para a segunda bateria com bastante vontade. Larguei mal, de novo. Vim recuperando e cheguei a ficar em décimo. Fui ultrapassar o Ryan Clark, consegui um trilho diferente mas na saída da curva, caí. Voltei para a prova, acabei na 15ª posição e fiz alguns pontinhos. Mal sabia eu que eram os últimos.

Na 11ª primeira etapa, passei muito perto de fazer o holeshot. Por muito pouco perdi o primeiro lugar para o Andrew Short. Nesta prova, fiz as voltas mais rápidas da minha vida. Andei metade da bateria entre os cinco primeiros. Uma sensação indescritível. Ouvia o público vibrando muito cada vez que o locutor falava meu nome. Quase no final da prova, caí, não consegui ligar mais a minha moto e abandonei. Fiquei muito frustrado. Na segunda bateria, queria repetir o desempenho da primeira, mas, logo na primeira curva, o Jeff Alessi caiu e me levou com ele. Voltei em último, uma volta atrás de quase todo mundo e não consegui entrar na zona de pontuação.

Mas nada me chateou mais do que a etapa de Glen Helen. Tenho excelentes lembranças de todas as provas que corri nesta pista e fui pra lá como se ela fosse uma etapa a parte, esperando um ótimo resultado. Glen Helen é a pista que eu mais treino, a que eu mais conheço e a que eu mais gosto. Mas, desta vez, nada deu certo.


Max: o primo deu apoio fundamental ao piloto brasileiro
No primeiro treino minha moto ficou falhando o tempo todo, trocamos toda a parte elétrica. No final, descobrimos que era a gasolina. Fiquei bastante nervoso porque não terminei o primeiro treino. No segundo andei entre os dez melhores mas, no final do treino, caí muito forte na Taladega, uma curva de alta. Perdi a memória e não consigo lembrar de nada que aconteceu. Fui para o centro médico da pista, não me senti nada bem e, no outro dia, tive muitas dores no corpo. No dia seguinte, os médicos queriam me proibir de correr e eu tive que assinar alguns termos médicos para ir à pista. Fui pra pista muito animado. Na primeira bateria, fiz uma boa largada e fechei a primeira volta em 12º lugar, mas percebia que estava mais rápido que meus adversários.

Aos 15 minutos, conquistei a oitava posição e fui abrindo vantagem para os meus adversários. Estava muito rápido. Aos 23 minutos, porém, minha roda traseira estourou. Era um resultado inédito pra mim que eu acabei deixando escapar. Paciência. Consegui uma outra roda e me preparei para a segunda bateria. Fiz outra boa largada e fiquei bem esperançoso. Queria muito terminar o ano com um resultado inédito. Larguei em 14º e, novamente, vim ultrapassando todo mundo. Sabia que podia terminar entre os oito. A sorte, mais uma vez, jogou contra. Ao tentar ultrapassar o Gavin Gracyk, a moto dele jogou uma pedra bem no meu nariz, que começou a sangrar sem parar. Meu óculos sujou todo, fiquei assustado e não pude continuar a prova. Mais tarde, descobri que tinha quebrado o nariz.

Nações 


No Motocross das Nações uma inédita classificação para o Brasil

Foi com o nariz quebrado que eu fui para o Motocross das Nações. Apesar disso, a minha animação em participar de uma competição inédita e de um dos maiores sonhos da minha vida fizeram com que todo o sacrifício valesse a pena. Tive no Nações uma estrutura que nunca tive nos EUA. Parabéns a Honda do Brasil pela iniciativa.


Pista de Budds Creek recebeu o principal evento do Motocross Mundial
Nos primeiros treinos, tanto o Leandro quanto o Wellington andaram muito bem e me deixaram muito animado quanto a uma boa participação do time Brasil. Quinta e sexta, aproveitamos os dias de descanso para traçar estratégias para o grande dia.

No sábado, fiz alguns ajustes na moto e, no fim do treino, terminei entre os dez primeiros Meus companheiros também estavam rápidos e estávamos confiantes na classificação. Fomos para as baterias que definiram os finalistas. O Wellington andou muito e conseguiu um 15º lugar. O Leandro Silva também andou muito forte, mas não conseguiu um resultado tão bom quanto o Wellington, terminando em 17º.


Leandro Silva e...
Era a minha vez de entrar na pista. Como o regulamento do Nações permite um descarte, conversei muito com meu Chefe de Equipe e ele me deu a certeza que estávamos classificados, independente do meu resultado. Assim, resolvi correr de forma agressiva pra conseguir um melhor lugar no gate. Terminei a primeira volta em 6º e mantive a colocação até os 15 minutos de prova. Numa disputa com o Aigar Leok, da Estônia, ele me obrigou a pegar um trilho que ninguém tinha passado ainda. A terra estava muito fofa, a moto afundou e eu sofri uma queda inacreditável. A moto destruiu. Fui até o pit stop e decidimos abandonar, pois “já estávamos classificados”.

De repente, chega a notícia de que não estávamos classificados. Tragédia. Sabia que a culpa toda da não classificação recairia em mim e isso coroava a maré de azar que vinha tendo nos últimos dias. Não consegui dormir à noite. Não acreditava no que tinha acontecido. Sorte que todos da equipe estavam do meu lado. Unimos como nunca e prometemos que iríamos buscar essa classificação no dia seguinte, a qualquer preço. 



...Wellington Garcia completaram o time brasileiro
Eram 13 times em busca de uma vaga. Larguei bem, fiz a primeira curva em segundo lugar e, logo em seguida, assumi a liderança. O Martin Davalos começou a me pressionar e como eu sabia que seus companheiros eram “fracos” e que não iriam brigar pela vaga, deixei ele passar. Administrei a segunda colocação e ficava olhando pra trás a todo momento, em busca dos meus companheiros. Fui informado pelo box que eles estavam bem colocados. Conseguimos o mais importante e o quase impossível. Terminamos em primeiro lugar na classificação geral e conseguimos a vaga.
Nessa hora, meu ânimo mudou. Sabia que a sorte tinha que virar em algum instante e ter liderado a equipe a essa classificação inédita era um sonho. Entrei muito feliz para as provas. Tivemos que correr mais duas baterias. Foi muito desgastante. Na primeira bateria, saí de 31º e terminei em 17º, um resultado que me deixou bem satisfeito.

Na última bateria do dia, tive apenas 25 minutos de intervalo de uma pra outra. Já larguei cansado, mas consegui uma boa colocação. Cheguei a andar em 11º, mas aos 18 minutos de prova não tinha mais nenhuma energia. Terminei a prova no sacrifício e, assim que terminou a corrida, passei muito mal.


Veja também: Matéria e Resultados do Motocross das Nações
O grande esforço de cada um valeu a pena. Conseguimos terminar o Nações em 16º lugar, conquistando assim, um resultado histórico para o Brasil. Individualmente, fui décimo colocado, na minha categoria. Fiquei feliz pelo resultado. Valeu a experiência e tudo isto mostrou que vale a pena acreditar no motocross brasileiro. Obrigado a todos que estiveram conosco nesta luta. Obrigado a todos que acreditaram no nosso potencial, principalmente a Honda (através do Sr. Yasuda e do Sr. Kalunga). Agradeço a Deus e também aos meus patrocinadores Riffel e a ASW/FOX, também a Zoolo, Orbital, Pirelli, Cia Athletica, All Service Cleaning, Max Saving Mortgage/Andrey Jomakei , John Burr, Tag, One, DRD e Cti. Obrigado a todos que acessam nosso site www.balbiteam.com.br, obrigado a todos que torcem e acreditam no nosso sucesso.

Jorge Balbi


Antonio Jorge Balbi Júnior é atualmente o maior atleta brasileiro de motocross. Depois de acumular 2 títulos latino-americanos, 4 títulos nacionais e mais de trinta títulos no currículo, o piloto partiu para a carreira internacional. Foi o primeiro brasileiro a fazer uma temporada do Campeonato Mundial e este ano disputou pela segunda vez a temporada do AMA Motocross, ficando em 19º lugar, melhor colocação de um brasileiro na história do Campeonato. Foi o primeiro Latino a terminar uma etapa entre os 10 melhores. Balbi foi também o primeiro brasileiro a fazer um hole shot no AMA e ainda o primeiro piloto nacional a se classificar para uma final do Supercross americano, maior campeonato do mundo. Este ano no Motocross das Nações, liderou a equipe brasileira e conquistou a inédita 16ª colocação por equipe e foi o 10º colocado no resultado individual.






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