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Publicado em: Julho 2005

Teste Tornado 360cc Polaco Motos

Teste Tornado 360 Polaco Motos
Texto: Lucídio Arruda - Fotos: Equipe MotoX 


Honda Tornado 360cc


Desde seu lançamento no mercado nacional a Honda Tornado 250 tomou conta das trilhas e pistas do Brasil. A trail da Honda é hoje praticamente o único modelo nacional em produção disposto a enfrentar o off-road. Basta uma leve depenada e a substituição dos pneus por modelos com cravos e pronto: já dá para se aventurar no meio do mato. 

A opção por motocicletas nacionais para a prática do esporte se dá por vários fatores. O principal deles é bastante óbvio: o preço. Uma Tornado 0KM custa menos da metade de uma enduro importada (0KM). A facilidade de manutenção e peças é outro fator que influi na escolha do modelo. Outro tipo de usuário é aquele que que compra uma moto para transporte que também possa dar uma voltinha na terra. Até que ele pega o vírus da coisa e resolve transformá-la numa verdadeira enduro.


Adeus tambor. Disco, seja bem vindo.
Realmente ainda não sei porque as fábricas no Brasil não levam a sério o mercado off-road oferecendo modelos prontos ou preparados para o esporte. Não seria muito difícil para o Honda lançar uma versão Enduro da Tornado (não vou nem citar a exportada CRF230). A própria fábrica estimula o uso do modelo em competições como no Campeonato Paulista de Motocross, mas se você quiser correr terá de comprar a moto completa na concessionária, com espelhos, painel, pneus de rua e um monte de coisa que não vai usar. Há mais de 20 anos quando o mercado era nanico comparado ao de hoje tinhamos modelos nacionais prontos para as pistas. Lembram-se da Yamaha MX180R? A própria Honda chegou a anunciar um kit especial para a Tornado, mas ele infelizmente nunca chegou ao público.

Felizmente o mercado de acessórios é bem mais ágil que as multinacionais japonesas. Onde aparece a demanda logo os fabricantes de peças estão lá oferecendo seus produtos para aperfeiçoar nossas queridas motos. As opções vão desde adesivos e guias de corrente até kits de motor e suspensão, passando por escape, ponteira, manetes, acessórios para carburador e a lista vai...


Na traseira a enorme ponteira chama a atenção.
Resolvemos testar a Tornado de um dos preparadores mais conhecidos nas pistas de São Paulo. Mesmo com suas limitadas habilidades como piloto (brincadeirinha viu Valmir) não é raro vermos o Polaco largando na frente quando o gate cai na categoria nacional.

Fomos conferir de perto quais foram as mudanças que transformaram a moto num canhão. A pista escolhida para o teste prático não era nada amigável às motos nacionais. O circuito do Fish Country em Embú-Guaçu é reconhecido pela boa quantidade de obstáculos e para ajudar no dia do teste estava repleto de buracos. Mas como o intuito era mesmo testar o equipamento vale o velho ditado do "quanto pior melhor".

Mudanças

Há mais de dois anos aperfeiçoando a preparação de sua motocicleta ele já experimentou vários kits cilindro/pistão de diversas capacidades.

Atualmente utiliza um kit que eleva o volume do motor para 360cc. São trocados o cilindro, pistão (Ross, fabricado nos Estados Unidos), anéis, válvulas, comando de válvulas e carburador. Esses dois últimos itens ainda recebem uma preparação especial.

O motor. Que diferença! Reparem na curva de escape com diâmetro bem maior que o original.
Para suportar a força maior que vem de cima a parte debaixo do motor também recebe melhorias. Uma nova biela é instalada e o virabrequim é trabalhado para aumentar a velocidade média do pistão. A embreagem também é retrabalhada assim como o filtro de ar e sua caixa são trocados.

O CDI é remapeado para se adaptar às novas características do conjunto e o escape e ponteira são fabricados pela Tork especialmente com tubos de maior diâmetro.

Cada pequena modificação é testada no dinamômetro antes de ir para as pistas.

As suspensões receberam novas válvulas entre outras modificações, tanto a dianteira como a traseira. Com as alterações o curso de ambas foi para 280mm, bem mais que os 245/242 mm originais.

Na roda traseira sai o antiquado sistema de freio a tambor e entra um disco de 240mm com pinça da Brembo. Na frente foi instalado um modelo flutuante tipo "wave". Os flexíveis com malha de aço (aerokips) garantem resposta imediatas aos comandos.

Para completar a Tornado do Polaco recebeu guidão Pro Taper, manetes retráteis, aros DID japoneses e raios de 4 mm.

Para terminar um banho de visual com adesivos e capa de banco personalizadas, cromo nos parafusos, anodização, folheado nos discos, coroa, pedaleiras... 



Na pista

Confesso que fiquei um pouco apreensivo em testar uma moto nacional, não pela moto em sí, mas depois de 16 anos andando apenas em motos especiais, duvidei da minha própria capacidade em julgar corretamente a Tornado.

Felizmente na pista havia um outro piloto com uma Tornado original, onde dei uma voltinha (fora da pista) a fim de conhecer o motor e ajustar meus parâmetros antes de andar no modelo preparado.


360cc


Abro o acelerador 2mm (conforme instruções do Valmir), aperto o botão e a partida elétrica coloca em movimento o motor da Tornado. O ronco do escape é grave e depois de aquecido sobe de giro com muita rapidez.

A posição de pilotagem é boa, um pouco mais relaxada que numa cross de verdade, o que causa certa estranheza é o banco bastante largo que não esconde que foi feito para carregar um garupa.

Bom, mas vamos acelerar que é o que interessa. Logo nas primeiras curvas já se descobre uma das principais qualidades da motocicleta. Ela é bem estável e mantém a trajetória equilibrada  mesmo nas curvas com enormes "bumps" de frenagem.

Mesmo pesando mais que uma especial, graças a seu baixo centro de gravidade, transmite uma sensação de leveza ao pilotar. Encaixar a moto nas canaletas ou dar "aquela" deitada nas curvas são tarefas fáceis com a Tornado 360, principalmente porque a hora que você dá mão a resposta do motor é vigorosa. Agora escrevendo o texto me lembro como foi divertido fazer curvas com a Tornado.

Anda mais que a original?


As modificações nas suspensões permitem voar mais alto. 
A pergunta correta seria o quanto a mais ela anda que uma Tornado original. Difícil responder em porcentagem, mas a 360 anda muito, muito mais que uma Tornado original. Numa disputa hipotética entre dois pilotos do mesmo nível, quem estivesse montado na 360 abriria vantagem sem fazer nenhum esforço. Se a pista tiver um subidão então seria possível parar a cada volta para tomar um gole d´água e ainda assim manter a dianteira.

A verdade é que o motor ficou muito mais esperto, com muito mais força em baixa e estica a giros muito mais altos. O piloto finalmente põe em prática a "arte de pilotar" já que o motor passa a reagir aos comandos do acelerador. Não é mais aquela coisa de torcer o cabo e esperar a moto ganhar velocidade.

Saltos e costelas

A suspensões aguentam o tranco muito mais que as originais. Foi possível pular todas as mesas sem problemas, apesar do limite ainda ser mais baixo que das motos especiais, principalmente em saltos simples sem recepção. Porém comparando com as suspensões originais, que de fato devem ser o parâmetro utilizado, é possível ir muito mais longe.

Nas costelas a dianteira se saiu muito bem, o limite ficou por conta da traseira que algumas vezes chegou ao final do curso. Foi a suspensão traseira também que aqueceu e apresentou um pouco de fadiga no final dia, lembrando que foram três pilotos experimentando a moto e as condições da pista estavam realmente severas.

Para quem vai enfrentar trilhas as suspensões dão de sobra.


Nas entradas de curvas a moto transmite bastante segurança.
Freios

Nesse ítem a Tornado 360 recebeu nota 10! O rotor maior na frente e o sistema a disco na traseira deixaram a motocicleta em pé de igualdade com as importadas neste ponto.

O acionamento suave e preciso é um dos fatores que ajudou a deixar a moto uma delícia nas curvas. Ficou perfeito e ponto final.

Ficou tão boa quanto uma especial?

A resposta é não. Mas com a Tornado 360 você corre na categoria nacional e aí a concorrência é que estará em desvantagem. Basta lembrar das largadas do Polaco. Na verdade dependendo da pista é possível virar praticamente no mesmo tempo de uma 125 2 tempos. O centro de gravidade é bem baixo e as curvas passam a ser um dos pontos fortes da Tornado 360cc.

Conclusão

Aqui eu volto a lembrar do "background" dos pilotos do teste que desde 1989 (nossa... estamos ficando velhos!!!) só pilotam motos especiais. Além disso o campo de testes escolhido foi a pista onde costumamos treinar e que realmente não dá moleza para as motos nacionais. Ainda por cima estava a uns seis meses sem manutenção, ou seja, aquela buraqueira.


Cada modificação no motor é testada no dinamômetro antes de ir para a pista.
Veredicto: A Tornado 360cc foi aprovada. O motor realmente ficou muito mais forte e deixa o original comendo poeira. As suspensões evoluiram bastante, apesar de ainda ficar longe da perfeição, não se comparam com as originais. Os freios como já dissemos, dão e sobram para o desempenho da moto.

Como tudo trabalha mais próximo do limite deve-se também tomar um cuidado redobrado com a manutenção da motocicleta cumprindo à risca os prazos de verificação e troca de óleo, por exemplo.

Para quem faz motocross é a arma ideal na categoria nacional. Já nas trilhas a Tornado 360 deve se sair melhor ainda, pois as suspensões trabalharão com mais folga e a maneabilidade será um dos trunfos. Além do motor não te deixar com medo de nenhum subidão.

Quem tem a moto original e quer extrair mais desempenho, prazer e diversão da Tornado tem diversas opções e níveis de preparação. A boa notícia é que o upgrade pode ser feito aos poucos sem pesar tanto no bolso do piloto. 


Serviço:
As seguintes empresas são especializadas na preparação da Honda Tornado:

- Polaco Motos 
- Tecno Racing
- RR Motos

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