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Publicado em: 26/02/2007

Fraturas de clavícula no motociclismo

Coluna Dr. Off Road 7 - Fraturas de clavícula no motociclismo
Por: Dr. Alexandre Augusto Ferreira - Fotos: Arquivo MotoX 


Lesões na clavícula estão entre as mais frequentes no motociclismo

No motociclismo competitivo as maiores incidências de traumas ocorrem nos membros superiores principalmente na região da cintura escapular onde a fratura de clavícula e a luxação acrômio clavicular aparecem como sendo as lesões mais freqüentes. O Motocross e o Enduro são as modalidades com maior índice de ocorrências seguidas de perto pela Motovelocidade. 

A clavícula, associada à escápula, compõe a cintura escapular, que conecta o membro superior ao esqueleto. A cintura escapular articula-se com o esterno e com o membro superior sendo que possui grande mobilidade, para atender às necessidades de movimento do braço. A clavícula tem o formato de um S esticado quando vista por cima e suas principais funções são atuar como suporte na manutenção do membro superior livre do tronco, de forma que haja máxima liberdade de ação; fornecer fixações para os músculos; transmitir forças do membro superior para o esqueleto axial; fornecer proteção para estruturas Neurovasculares (vasos e plexo braquial); auxílio na função respiratória; e estética. 

A clavícula esta seguramente fixada em suas extremidades distal e proximal através de ligamentos que são importantes para a dinâmica dos movimentos realizados pela cintura escapular. Com a finalidade de se classificar os tipos de fraturas que acometem a clavícula ela foi dividida anatomicamente em três partes; o terço proximal, o terço médio e o terço distal. O terço proximal se localiza na extremidade que se articula com o esterno no tórax (articulação esternoclavicular); o terço distal na extremidade que se articula com o acrômio (articulação acromioclavicular); e o terço médio é a região central da clavícula. 

Fraturas

As fraturas de clavículas são classificadas de acordo com o local que ocorrem e também com o tipo de desvio que os fragmentos podem apresentar. As fraturas do terço médio são as mais freqüentes (80%), seguidas pelas do terço distal (15%) e por último a do terço proximal (5%). O mecanismo de lesão das fraturas de clavículas em adultos consiste em 90% dos casos de trauma direto no ombro sendo que os 10% restantes são ocasionados por traumas indiretos. 

A fratura de clavícula em um adulto pode ser fácil de ser diagnosticada, principalmente se forem do terço médio e apresentarem desvios. Usualmente existe uma história definida de alguma forma de lesão direta ou indireta ao ombro. A deformação da clavícula pode ser óbvia, o fragmento proximal desloca-se para cima e para trás tencionando a pele. O piloto usualmente apresenta-se apoiando a extremidade envolvida contra o corpo, pois qualquer movimento provoca dor.

Embora inicialmente a deformidade possa apresentar-se evidente, com o passar do tempo devido ao inchaço agudo dos tecidos moles e hemorragia a mesma pode passar despercebida. Em uma fratura próxima às estruturas ligamentares (articulações acromioclavicular e esternoclaviculares) a deformidade poderá imitar uma lesão puramente ligamentar como a luxação acrômio clavicular que é outra lesão muito freqüente no motociclismo. 


Tratamento

Em geral o tratamento para as fraturas de clavícula, principalmente as do terço médio, são não cirúrgicos com resultados excelentes, porem o método exato de tratamento depende de indivíduo para indivíduo além de fatores como idade do paciente, condição médica que o mesmo se apresenta, localização da fratura e lesões associadas. O objetivo do tratamento é alcançar a consolidação óssea com mínima morbidade, perda de função e deformidade residual. As fraturas distais, por causa das forças deformantes e alta incidência de não consolidação (pseudoartrose) são quase sempre tratadas com cirurgia onde a fratura é estabilizada ou com pino intramedular ou algum método de fixação dinâmica para aproximar os fragmentos. 

Outras indicações para o tratamento cirúrgico são:
- Quando a deformidade dos fragmentos pode levar ou ocasionou trauma neurovascular.
- Interposição de partes moles ou fragmento intermediário rodado.
- Fraturas expostas.
- Quando houver deformidade grave após consolidação da fratura.
- Alguns pacientes com politraumatismo.
- Fraturas Bilaterais.
- Pseudoartroses (não consolidação da fratura).
 
Para o tratamento não cirúrgico são utilizados meios de imobilização que podem ser agrupados em:
- Suporte simples para o braço. Utiliza-se uma tipóia ou imobilização tipo Velpeau, sem tentativa de manter a redução da clavícula, desde que se assegure do posicionamento satisfatório do osso, de forma a permitir a consolidação. Mais indicado para fraturas incompletas de clavícula ou fratura completas com pequeno desvio.
- Redução fechada. Este é o método conservador mais utilizado, onde através de uma imobilização em oito com bandagem tenta-se manter e segurar a redução trazendo o fragmento distal para cima e para trás. 

A posição que mantém a fratura reduzida é incomoda para o paciente e pode provocar sintomas inclusive de compressão neurovascular. Este tipo de imobilização requer acompanhamento constante para se avaliar a integridade da mesma e os resultados quanto o alinhamento da fratura. O ortopedista pode eventualmente realizar, com ajuda de anestésico local, o alinhamento da fratura manipulando os ombros com movimentos para cima, para fora e para trás. 

A imobilização deverá ser mantida por seis a oito semanas sendo que o uso do membro afetado deva ser limitado até a consolidação clínica seja observada. Para os pilotos não se recomenda à volta da prática de pilotagem por ao menos seis semanas após a consolidação radiográfica e clínica e sem antes também realizar uma recuperação funcional com fisioterapia.
 
Na minha experiência com pilotos profissionais de motocross e motovelocidade, as fraturas de clavícula onde utilizei o tratamento conservador com bandagem em oito, evoluíram bem com consolidação plena. A grande dificuldade na realidade foi manter os pilotos inativos por tanto tempo, alguns iniciaram a atividade física antes da liberação clínica e radiológica, mas não houve complicações, porém nestes casos os riscos de refratura e pseudoartrose são maiores que o normal. Em um caso de fratura de terço médio de clavícula de uma atleta de motovelocidade indiquei o tratamento cirúrgico sendo que foi utilizada uma placa com parafusos para estabilização dos fragmentos. A fratura consolidou e a atleta pode voltar para atividade de pilotagem após três semanas. 


Abraços,

Dr. Alexandre Augusto Ferreira
e-mail: dr.alexandreaugusto@terra.com.br

O Dr. Alexandre Augusto Ferreira, da Equipe Médica ASTRA, desde 1996 acompanha e presta atendimento aos pilotos nos Campeonatos Brasileiro e Paulista de Motocross.





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