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Publicado em:
19/06/2008
Regulagem dos cliques das suspensões

Pequenas alterações fazem grande diferença
Por Valmir Polaco e Equipe MotoX - Fotos: Polaco Preparações


Os ajustes de compressão e retorno da suspensão dianteira são realizados com uma chave de fenda abrindo ou fechando os cliques nos locais correspondentes 

Nesta edição da coluna continuaremos abordando o ajuste de suspensão, especificamente regulagem dos cliques (parafusos localizados na parte superior e inferior do amortecedor e bengala). Como comentado na primeira matéria sobre este tema, muitos proprietários adquirem uma motocicleta especial, mas acabam sendo mal orientados ou até mesmo acabam não entendendo os manuais de suas motos. Hoje o que mais se vê no mercado brasileiro são pilotos que adquirem uma motocicleta especial, mal dão uma volta na pista e antes mesmo fazer uma regulagem de SAG ou  dos cliques da suspensão querem prepará-las.

Esse ano me deparei com diversos casos desse tipo. Um deles foi de um piloto com vários títulos de motocross brasileiro, mais de 20 anos de experiência e que após adquirir uma motocicleta 250 quatro tempos zero quilômetro, não deu nem uma volta na pista, mas já me ligou querendo preparar a suspensão se queixando e dizendo que elas são muito duras. Um verdadeiro absurdo! A motocicleta já esta na 4ª geração das suspensões showa  de câmara dupla, no entanto sem ao menos experimentá-las o piloto acreditou que a própria não atendia suas necessidades. 

Regulagens


No amortecedor traseiro o ajuste do retorno é realizado neste parafuso, localizado entre as peças do link

Bom, vamos ao que interessa, como deve ser realizado o procedimento de ajuste das suspensões. O primeiro passo é executar a regulagem de SAG, como explicado na primeira matéria de regulagem das suspensões. Para saber qual parafuso é a compressão e qual é o retorno você deve olhar na própria tampa. Onde estiver escrito “comp” é a regulagem de compressão, se estiver marcado “rebound” o mesmo é o local de regulagem do retorno. Existem também as indicações H (de hard - duro) e S (de soft - macio) com setas indicativas para endurecer ou amolecer as suspensões.

Na suspensão dianteira existem dois parafusos na parte superior: o posicionado no centro da tampa é o parafuso de regulagem, o outro é para retirada de ar. Na parte inferior da bengala o funcionamento é o mesmo, porém só vai existir um parafuso nela. Lembre-se fechando (sentido horário) ela fica mais dura, abrindo ela fica mais mole.

Provavelmente a regulagem terá por volta de 25 cliques, podendo chegar em alguns casos até 35. Partindo do ponto zero fechado, abra a regulagem até a metade (por exemplo, se existem 20 cliques abra até o 10º) encontrando a posição standard, de onde deve-se partir para o seu ajuste pessoal. Na minha opinião quando o piloto sente necessidade de abrir mais do que 15 cliques, o momento é de se partir para uma revalvulação (mudança na genética das laminas) ou até mesmo uma mudança de fluido. Lembre sempre que existem motocicletas que os parafusos são invertidos: nestas motos o “comp” fica na parte de baixo e “rebound” na parte superior (tome muito cuidado para não confundir as regulagens). Na suspensão traseira o procedimento deve ser o mesmo adotado na dianteira. 


Onde estiver escrito “comp” é a regulagem de compressão, se estiver marcado “rebound” o mesmo é o local de regulagem do retorno

A evolução e desenvolvimento são buscas constantes dos engenheiros e as atuais suspensões das motocicletas de competição são exemplo disto. Nos amortecedores traseiros elas contam com uma 2ª regulagem na compressão, um parafuso com cabeça de até 17 mm que fica em volta do clique. Muitos proprietários imaginam que ele serve para segurar o clique de compressão, mas não sabem que na verdade é outra regulagem que faz mais diferença do que o próprio clique interno. Ele serve para regular a alta velocidade da compressão, trabalhando independente do clique que faz o papel da baixa velocidade de compressão. A regulagem deste parafuso tem no máximo duas voltas e ¼.

Só se consegue notar a diferença de funcionamento após alterações nesta regulagem andando na motocicleta. Alguns pilotos e proprietários têm a visão de que elas não fazem diferença nenhuma, mas estão completamente enganados quaisquer regulagens de clique chegam a ter um resultado de 15 a 20 % de ação no hidráulico. No entanto sei também que falta sensibilidade para a grande maioria dos pilotos e muitos não conseguem notar as alterações. O clique inferior do amortecedor traseiro serve para controlar o retorno do hidráulico, e muitos pilotos só mexem ali porque é o clique onde mais se nota a reação da regulagem.

Importante: quando você for fazer uma regulagem do clique é recomendável anotar a regulagem que está sendo utilizada, assim se você notar que a nova regulagem não funcionou você volta para o padrão anterior contando os cliques até retornar a posição. Lembre-se sempre também que para fazer uma regulagem perfeita deve-se tirar o ar das suspensões e o SAG deve estar dentro dos padrões da modalidade. 


No amortecedor traseiro, junto a garrafa de nitrogênio, existem duas regulagens

Iniciando as regulagens deve-se andar na moto e perceber a ação dos hidráulicos. Esqueça aquele negócio de ficar freando e comprimindo as suspensões com a moto parada, tentando notar seu funcionamento com as próprias mãos. Vá até uma pista, de preferência a que você já é acostumado a andar e que conhece bem as dificuldades do traçado. Faça um aquecimento de 5 à 8 minutos andando com a moto e procure perceber as reações da motocicleta e o funcionamento das suspensões. Nunca aqueça mais do que 20 minutos no momento de fazer estes ajustes. Nesta hora o desgaste físico já é considerável, a não ser que seu condicionamento esteja 100 %. Conheço pilotos que avaliam o equipamento na hora que estão finalizando o treino e nessa hora sobram queixas de que nada está funcionando de acordo (mas a língua do piloto está de fora).

As suspensões dianteira ou traseira são divididas em duas velocidades de hidráulico tanto na compressão quanto no retorno (baixa e alta). Os cliques só alterarão o funcionamento da baixa. Por isso se sua suspensão estiver batendo no fundo da caixa na recepção dos saltos e você fechar todos os cliques não vai adiantar muita coisa. Aqui vão umas dicas para se fazer uma regulagem. Lembre-se que você é a pessoa mais certa para notar esses problemas que estão ocorrendo com sua motocicleta.

Suspensão traseira 

Exemplo de ação no retorno. Começando pela suspensão traseira o que mais vejo são pilotos que fecham demais os cliques de retorno, com a intenção de deixá-lo bem lento. Se você fechar muito o retorno do amortecedor, a moto para de copiar tudo que encontra pela frente, principalmente buracos em saída de curva onde neste caso ela estará se fechando cada vez mais e não haverá tempo suficiente para que ela abra novamente para copiar o próximo obstáculo. Procure fazer uma regulagem bem progressiva com a baixa velocidade um pouco mais mole e a alta velocidade mais dura. Neste caso a tendência é soltar um pouco o parafuso do retorno, a reação dessa regulagem será que você vai notar ela mais mole nos buracos e pouco se afetará nos grandes saltos. 


A regulagem interna regula a velocidade baixa da compressão enquanto a externa regula a alta velocidade


Agora um exemplo de ação na compressão. Nesse caso o mais comum são pilotos que fecham quase todos os cliques desta regulagem por causa da suspensão batendo no fundo na recepção dos saltos maiores. Resumindo, ela melhora nos saltos e piora no restante do traçado aonde poderia se ganhar mais tempo. Nesse caso vale a pena você priorizar as maiores dificuldades da pista. Vale a pena deixar a baixa velocidade mais mole, soltando na traseira o parafuso do meio da compressão e fechando o parafuso de fora pra endurecer a alta velocidade. Isso dará progressividade ao hidráulico deixando ela mais mole nos buracos de saída de curva e mais rígida em buracos mais forte de frenagem ou até mesmo caída de saltos.

Suspensão dianteira

Começando pelo retorno, muitos pilotos costumam fechar demais os cliques por achar que estão “perdendo a frente” (escorregando) nas curvas ou até mesmo quicando, esse é o ponto! Para resolver o problema regule o retorno da suspensão dianteira partindo do mesmo princípio aplicado a traseira. Se fechar os cliques em demasia o piloto sentirá rapidamente problemas: em uma frenagem com traçado todo esburacado a dianteira vai comprimindo, comprimindo até atingir uma pressão grande de hidráulico e molas. Chegando no próximo buraco não há tempo suficiente para a suspensão retornar e copiar a imperfeição do solo. Tudo isso vem direto pros braços do piloto e ele acaba sentindo toda a imperfeição do solo. Por isso procure deixar um retorno mais suave para esse tipo de obstáculo, normalmente você encontrará este ajuste soltando um pouco os cliques de retorno. 


Alguns amortecedores traseiros possuem um sistema de regulagem do retorno onde se faz o ajuste com a mão

Falando da compressão muitos acabam fechando praticamente todos esses cliques por causa do tire up (enforca gato) encostando ao fundo da bengala, demonstrando que a suspensão atingiu final de curso. Caso isto ocorra uma ou outra vez e não todo tempo não há problema, do contrário sim. Gente lembre-se que a maioria das suspensões dianteiras de moto importada tem 300 mm de curso, então a faça trabalhar 100% do seu curso. Caso você feche em excesso a compressão sua suspensão trabalhará sem absorver tudo e o que faltar será refletido diretamente para seus braços.

Pequenas alterações fazem muita diferença. Por exemplo, você pode aumentar 20 ou 30ml de óleo nas bengalas se ela estiver batendo no fundo e isto fará uma grande diferença (claro sempre respeite o limite máximo de quantidade descrito no manual). Deixando os cliques de compressão um pouco mais moles você conseguirá que sua moto copie mais o terreno nas frenagens nas entradas de curvas.

Lembre-se que três forças atuam em uma suspensão: mola, atrito e hidráulico. Portanto para solucionar um problema, devemos saber qual das forças é a causa. Reafirmo: o resultado final da regulagem de uma suspensão é diretamente proporcional a sua capacidade de entender seu funcionamento.


Valmir Polaco, nosso colaborador nesta coluna, além de preparador e piloto é proprietário da Polaco Preparações.